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25/Mar/2026

Agro já sente impactos do conflito no Oriente Médio

A escalada do conflito no Oriente Médio já provoca efeitos relevantes sobre o agronegócio brasileiro, com impacto direto sobre custos de produção, logística e fluxos de comércio exterior. O principal canal de transmissão ocorre por meio da alta dos preços de energia e insumos. O encarecimento do petróleo e do gás natural eleva os custos de diesel e fertilizantes nitrogenados, itens essenciais para a produção agrícola e determinantes na formação do custo operacional, especialmente nas lavouras de grãos. No segmento de fertilizantes, a pressão já é expressiva.

A ureia ultrapassou US$ 460,00 por tonelada, enquanto as importações brasileiras desses insumos recuaram 34% no primeiro bimestre de 2026. Apesar da existência de estoques para o curto prazo, o cenário indica risco de restrição de oferta e novas altas de preços no médio prazo. O diesel também se mantém como fator crítico. Com cerca de 25% do consumo nacional dependente de importações, a defasagem entre preços internos e internacionais, estimada em até 30%, sinaliza potencial de reajustes, com efeitos inflacionários ao longo da cadeia produtiva.

No comércio exterior, o ambiente é de maior incerteza. O Irã responde por aproximadamente 25% das exportações brasileiras de milho, o que eleva o risco de impacto sobre os embarques em caso de prolongamento das tensões. No setor sucroenergético, países do Oriente Médio concentram parcela relevante das compras de açúcar e etanol, podendo haver necessidade de redirecionamento de cargas. A logística internacional também sofre impactos. Restrições em rotas tradicionais exigem reorganização do escoamento, com utilização de alternativas como portos em regiões adjacentes, elevando custos de frete e ampliando prazos de entrega.

No segmento de proteínas animais, a instabilidade pode afetar a demanda e os fluxos comerciais, especialmente no mercado de carne de frango, que tem no Oriente Médio um dos principais destinos. Além dos efeitos operacionais, o cenário também traz riscos sobre investimentos, com possível retração de capital oriundo de fundos soberanos da região, afetando projetos ligados ao agronegócio. Diante desse contexto, o setor enfrenta uma combinação de custos mais elevados, desafios logísticos e incertezas comerciais. A duração do conflito será determinante para a intensidade dos impactos, mas o ambiente já se mostra mais adverso no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.