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25/Mar/2026

Guerra eleva custos e pressiona margens agrícolas

A escalada do conflito no Oriente Médio amplia as incertezas no mercado agrícola internacional e já impacta diretamente a formação de custos da próxima safra, com pressão concentrada sobre insumos estratégicos e logística global. O ambiente reflete a elevação dos preços de fertilizantes, combustíveis e defensivos, em meio à restrição de oferta e ao aumento dos custos logísticos. O estreitamento do fluxo no Estreito de Ormuz, região central para exportação de nitrogenados e fosfatados, combinado à interrupção das exportações de fertilizantes pela China, reduz a disponibilidade global desses insumos. Como consequência, os preços permanecem em patamares historicamente elevados, pressionados também pelo encarecimento do frete marítimo e dos seguros.

No Brasil, a alta do diesel adiciona um vetor adicional de pressão sobre os custos de produção. Mesmo após reajustes recentes, a defasagem nos preços internos ainda limita a atratividade das importações por distribuidoras, elevando o risco de desabastecimento. Em resposta, medidas governamentais buscam mitigar o impacto ao consumidor, incluindo isenção de tributos e negociações com Estados envolvendo o ICMS. Por outro lado, a valorização do petróleo sustenta os preços do açúcar no mercado internacional, ao aumentar a competitividade do etanol. Esse movimento incentiva a priorização da produção de biocombustível pelas usinas, reduzindo a participação do açúcar no mix produtivo da safra 2026/27. Com isso, a oferta global da commodity tende a ser menor, dando suporte às cotações, que voltam a superar 15,00 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.

No mercado de grãos, os fundamentos permanecem relativamente equilibrados, mas com sinais de maior aperto, especialmente no milho, cuja relação estoque/consumo global apresenta recuo diante do crescimento da demanda acima da produção. A soja mantém estabilidade, enquanto o trigo registra leve recomposição de estoques. O clima também permanece como fator relevante, com indicação de predominância de neutralidade nos próximos meses, o que reduz a probabilidade de eventos extremos, mas mantém a necessidade de monitoramento das condições no campo. O conjunto desses fatores reforça um ambiente de maior volatilidade para o agronegócio, caracterizado por custos elevados, margens pressionadas e sustentação pontual de preços internacionais atrelada a fatores externos, como energia e restrições de oferta global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.