25/Mar/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Brasil ainda não explora de forma plena o potencial estratégico de sua agricultura tropical no cenário internacional, apesar do elevado nível de desenvolvimento tecnológico e produtivo do setor. A avaliação é de que o País possui uma vantagem geopolítica relevante, decorrente de sua capacidade de produção em ambiente tropical, mas enfrenta limitações estruturais e estratégicas que impedem a plena capitalização desse diferencial no mercado global. Entre os principais pontos de vulnerabilidade está a elevada dependência de fertilizantes importados.
Atualmente, cerca de 85% dos insumos utilizados no País têm origem na Rússia, enquanto aproximadamente 55% da ureia é proveniente do Irã. Esse cenário amplia a exposição a choques externos, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica. A ausência de planejamento estratégico diante de crises internacionais é apontada como um fator que agrava essa dependência, reduzindo a capacidade de resposta do setor produtivo em contextos de disrupção nas cadeias globais de suprimento. O Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece como meta reduzir a dependência externa em 50% até 2050, é considerado insuficiente frente à urgência do tema.
A necessidade de antecipar ações para garantir maior estabilidade no abastecimento de insumos é vista como prioritária para sustentar a competitividade do agronegócio. Além dos insumos, a infraestrutura logística também representa um entrave relevante. Deficiências na capacidade de armazenagem e limitações operacionais em portos impactam o escoamento da produção e reduzem a eficiência das estratégias de comercialização externa. Esses fatores, combinados, restringem o aproveitamento pleno do potencial da agricultura brasileira no cenário internacional, mesmo diante de condições naturais e tecnológicas favoráveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.