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25/Mar/2026

Brasil: impactos da alta de fertilizantes na inflação

O choque de energia decorrente do conflito no Oriente Médio tende a pressionar a inflação no Brasil de forma mais ampla e persistente do que tarifas comerciais, devido à sua transmissão pela cadeia de fertilizantes e alimentos. Embora ambos sejam choques de oferta, os efeitos sobre os preços ocorrem de maneira distinta. Tarifas apresentam impacto mais concentrado e gradual, enquanto aumentos em combustíveis e alimentos se disseminam rapidamente pela economia, afetando custos em múltiplas etapas produtivas e ampliando a difusão inflacionária. O canal de transmissão passa, em grande medida, pelo mercado global de fertilizantes.

A região do Estreito de Ormuz concentra fluxos relevantes de petróleo e rotas estratégicas para o comércio de insumos agrícolas, em um momento de pico sazonal de demanda no Hemisfério Norte. O encarecimento da energia eleva os custos de produção no campo, pressiona as margens agrícolas e tende a ser repassado aos preços de alimentos ao consumidor com defasagem. Estimativas indicam que aumentos persistentes nos preços do petróleo têm efeito relevante sobre a inflação brasileira. Um avanço de 10% no preço da commodity pode adicionar cerca de 30 pontos-base à inflação no horizonte de 18 meses, refletindo não apenas impactos diretos, mas também a propagação para medidas subjacentes. A estrutura da economia brasileira intensifica esse processo.

A elevada participação dos alimentos na cesta de consumo, combinada à forte dependência de fertilizantes importados, amplia a sensibilidade a choques externos. Além disso, itens de consumo frequente, como combustíveis e alimentos, influenciam a percepção inflacionária das famílias, podendo reforçar reajustes de preços e salários. Em ambientes de maior incerteza econômica, especialmente no campo fiscal, a tendência é de maior incorporação desses choques às expectativas de inflação, prolongando seus efeitos. Nesse contexto, a avaliação é de que movimentos dessa natureza exigem monitoramento mais atento, dada a sua capacidade de gerar impactos mais duradouros sobre a dinâmica inflacionária. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.