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25/Mar/2026

Petróleo: dúvidas sobre escolta no Estreito de Ormuz

O mercado internacional de petróleo permanece em ambiente de elevada incerteza diante das dúvidas sobre a segurança da navegação no Golfo Pérsico após o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% da oferta global da commodity. A sinalização do governo dos Estados Unidos sobre o possível uso da Marinha para escoltar navios-tanque na região é vista com cautela por analistas, que questionam tanto a capacidade operacional de proteger simultaneamente diversas embarcações quanto a disposição das empresas marítimas em retomar o envio de cargas pelo canal em meio ao risco geopolítico. O cenário ocorre no contexto de esforços para mitigar os impactos logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio e conter a transmissão desses efeitos aos preços internacionais do petróleo.

Desde o início das tensões, no começo de março, as cotações têm se mantido acima de US$ 100 por barril. Na sessão mais recente, os preços avançam cerca de 3%, alcançando US$ 103,38 por barril, refletindo a continuidade das restrições logísticas e a ausência de perspectiva clara para a normalização dos fluxos no estreito. O ambiente de incerteza foi intensificado por ajustes na oferta. O Iraque anunciou redução de 1,5 milhão de barris por dia na produção, citando limitações de estocagem decorrentes das dificuldades de exportação pela região. Dados de rastreamento marítimo indicam que parte das embarcações ainda tenta realizar a travessia, mas a maioria evita a área. As cotações acumulam alta pela quarta sessão consecutiva, sustentadas pelo prêmio de risco associado a uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

A percepção predominante no mercado é de que, sem uma solução logística efetiva no curto prazo, a volatilidade tende a permanecer elevada. Caso haja aumento consistente no número de navios cruzando o estreito, a tendência é de redução parcial do prêmio de risco, com possível acomodação dos preços internacionais da commodity. O Irã continua a manter um controle rígido sobre o Estreito de Ormuz, que leva do Golfo Pérsico em direção ao oceano aberto e através do qual um quinto do petróleo mundial e outras commodities importantes são transportados. Um pequeno número de navios tem conseguido passar pelo estreito e o Irã insiste que ele permanece aberto, apenas não para os Estados Unidos, Israel ou seus aliados.

Ainda, o Irã passou a cobrar taxas de trânsito de embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz, em um movimento que reforça o controle sobre uma das principais rotas globais de energia. Os valores solicitados podem chegar a US$ 2 milhões por viagem, configurando na prática um pedágio informal. A cobrança ocorre de forma não padronizada, sem regras claras ou mecanismo sistemático definido, e vem sendo aplicada de maneira pontual a diferentes navios. Relatos indicam que algumas embarcações já efetuaram os pagamentos, embora ainda não haja transparência sobre os critérios adotados, incluindo a moeda utilizada e as condições específicas para a cobrança. A adoção de cobranças informais amplia a percepção de risco na região e pode pressionar ainda mais os custos logísticos, com potenciais efeitos sobre cadeias globais de suprimento e inflação.

O Irã distribuiu uma carta aos países membros da Organização Marítima Internacional (OMI), das Nações Unidas, afirmando que "embarcações não hostis" podem transitar pelo Estreito de Ormuz "em coordenação com as autoridades iranianas". Na carta distribuída entre os membros da OMI nesta terça-feira (24/03) e compartilhada com o Financial Times, o ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã tomou "medidas necessárias e proporcionais para impedir que os agressores e seus apoiadores explorem o Estreito de Ormuz para avançar operações hostis contra o Irã". Fontes: Broadcast Agro, Bloomberg e Financial Times. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.