25/Mar/2026
A União Europeia e a Austrália concluíram negociações para um acordo de livre comércio que altera de forma relevante o fluxo de produtos agroalimentares entre as duas regiões, com liberalização ampla para exportações europeias e abertura controlada para produtos australianos considerados sensíveis. O tratado prevê a eliminação total das tarifas de importação sobre alimentos e bebidas da União Europeia no mercado australiano. Em 2024, o bloco já registrava superávit de € 2,3 bilhões (US$ 2,67 bilhões) nesse segmento, com perspectiva de ampliação diante da redução a zero das alíquotas para produtos como vinhos, chocolates, queijos e massas. Entre os principais itens beneficiados, as exportações de massas e preparações de cereais, que somaram € 460 milhões (US$ 533,6 milhões) em 2025, deixam de enfrentar tarifas de até 5%.
O setor de vinhos e vermutes, com € 327 milhões (US$ 379,3 milhões), e o de queijos, com € 249 milhões (US$ 288,8 milhões), também passam a operar com acesso livre, eliminando taxas que chegavam a 11% no caso dos lácteos. O acordo assegura ainda a proteção de 165 indicações geográficas de alimentos e 231 de bebidas alcoólicas de maior teor. No caso do termo Prosecco, produtores australianos terão prazo de transição de 10 anos para cessar exportações com essa denominação, mantendo uso restrito no mercado doméstico sob regras específicas de rotulagem. Em contrapartida, a União Europeia estabelece cotas tarifárias para produtos australianos, vinculadas a critérios de sustentabilidade e com implementação gradual. Para a carne bovina, foi definida cota de 30,6 mil toneladas equivalente carcaça, sendo 55% com isenção tarifária condicionada à produção a pasto.
O volume restante terá tarifa reduzida de 7,5%, com prazo de implementação de 10 anos. No segmento de carne de ovinos e caprinos, a cota será de 25 mil toneladas, também restrita a sistemas de produção a pasto. No setor sucroenergético, foi estabelecida cota de 35 mil toneladas de açúcar bruto de cana para refino com tarifa zero, condicionada a certificação de sustentabilidade. Outros produtos contemplados incluem arroz, com cota de 8,5 mil toneladas, glúten de trigo, com 20 mil toneladas, e etanol, com 10 mil toneladas, todos com acesso facilitado por meio de volumes limitados. Para mitigar impactos sobre produtores europeus, o acordo incorpora mecanismos de salvaguarda que podem ser acionados em caso de aumentos inesperados nas importações ou queda acentuada de preços. Além disso, os produtos australianos deverão cumprir integralmente os padrões sanitários e de segurança alimentar da União Europeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.