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25/Mar/2026

Europa e Ásia: atividade empresarial desacelera

A atividade empresarial na Europa e em partes da Ásia apresenta desaceleração, refletindo os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia e o aumento das incertezas econômicas. O enfraquecimento dos novos pedidos indica possibilidade de efeitos mais persistentes sobre o crescimento, especialmente em cenários de prolongamento ou intensificação do conflito. Na zona do euro, o PMI composto recuou para 50,5 em março, ante 51,9 em fevereiro, abaixo da expectativa de 51 e no menor nível desde maio do ano anterior. O movimento sinaliza perda de ritmo da atividade, com pressão simultânea de custos elevados e desaceleração da demanda, configurando um ambiente compatível com risco de estagflação. A elevação dos preços de energia e alimentos tende a intensificar os impactos sobre a economia europeia. Em um cenário mais adverso, com o petróleo atingindo US$ 145 por barril, a inflação média pode alcançar 4,4% no ano, conforme projeções do Banco Central Europeu (BCE).

A inflação de custos de insumos avança no ritmo mais forte em mais de três anos, enquanto a produção é pressionada pela redução dos novos pedidos. Na Ásia, indicadores também apontam desaceleração relevante. Na Índia, o PMI composto caiu de 58,9 para 56,5, o menor nível desde outubro de 2022, em um contexto de forte dependência de importações de energia que transitam pelo Estreito de Ormuz, atualmente afetado pelo conflito. Os custos de insumos no país avançam para níveis próximos aos mais elevados em quatro anos, com aumento disseminado em matérias-primas e energia. Outros mercados da região também registram perda de dinamismo. A Austrália apresenta a maior queda na produção desde 2023, enquanto o Japão mostra desaceleração da atividade. No Reino Unido, o indicador recua para o menor nível em seis meses, com compressão de margens levando à intensificação dos cortes de emprego. O cenário global também reflete maior pressão sobre as políticas monetárias.

A elevação dos preços de energia, associada ao quase fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da oferta mundial de petróleo, amplia as expectativas de alta de juros por bancos centrais como o Banco Central Europeu. Projeções recentes indicam revisão para cima da inflação e redução das estimativas de crescimento na zona do euro. Na Europa, o aumento dos custos de energia ameaça parte do impulso recente da indústria, especialmente na Alemanha, onde estímulos fiscais próximos de US$ 1 trilhão vinham sustentando a recuperação. Parte do avanço recente da produção industrial pode estar associada à antecipação de compras por empresas, em resposta aos riscos de interrupções nas cadeias de suprimento. O ambiente indica deterioração das condições econômicas globais, com combinação de custos elevados, enfraquecimento da demanda e aumento da incerteza, reforçando a volatilidade e os riscos para o crescimento no curto e médio prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.