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24/Mar/2026

Guerra impacta em fertilizantes e carne de frango

Segundo o Rabobank, o conflito no Oriente Médio já começa a gerar impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro, com reflexos no custo dos fertilizantes e no fluxo de exportação de carne de frango. A escalada das tensões reduziu significativamente as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, elevando o preço do barril para acima de US$ 100 e pressionando custos logísticos e de produção. Como consequência, o preço da ureia, insumo essencial para a agricultura, já acumula alta superior a 30% desde o início do conflito. O impacto está diretamente ligado ao Estreito de Ormuz, corredor logístico por onde passa uma parcela relevante do comércio global de fertilizantes, incluindo ureia, amônia e enxofre. A instabilidade na região eleva custos de frete, seguros e risco de interrupções no abastecimento.

Estimativas indicam que entre 25% e mais de 40% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados transitam pela região, reforçando sua importância estratégica. Com a pressão sobre a oferta e a logística, os preços internacionais já reagem. A ureia registrou altas relevantes em mercados globais, impulsionadas pelas incertezas no transporte e na produção. Para países importadores como o Brasil, o efeito tende a ser direto, elevando o custo de produção agrícola e aumentando a volatilidade no planejamento das safras. No segmento de proteínas, o impacto ocorre pelo lado da demanda. O Oriente Médio responde por cerca de 22% das importações globais de carne de frango, com o Brasil como principal fornecedor.

Com a logística regional afetada pelo conflito, parte dos embarques tende a ser redirecionada para outros mercados. Entre os destinos possíveis, o México surge como alternativa, mas já opera com oferta elevada, o que pode intensificar a pressão sobre os preços internacionais da proteína. O cenário é considerado delicado, com risco de desequilíbrio entre oferta e demanda. No mercado de grãos, a volatilidade também se mantém. A soja negociada em Chicago registrou queda recente após incertezas nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, embora tenha apresentado recuperação posterior diante de dados fortes de esmagamento. O ambiente global segue marcado por incertezas geopolíticas, com efeitos combinados sobre energia, insumos agrícolas, logística e fluxos comerciais, ampliando os riscos para o agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.