24/Mar/2026
A escassez de diesel no Brasil tem afetado diretamente as atividades agrícolas, comprometendo tanto a operação de máquinas no campo quanto o preparo para novos plantios, com impactos mais intensos na Região Sul, onde municípios já decretaram situação de emergência. No Rio Grande do Sul, o município de Formigueiro formalizou estado de emergência em 17 de março, em função da falta de combustível e da elevação expressiva dos preços, que já afetam o escoamento da safra agrícola. A medida autoriza a aquisição de diesel sem licitação, diante do risco de paralisação das atividades, considerando que a agricultura representa a base econômica local e depende do uso contínuo de máquinas e da manutenção das estradas rurais. Situação semelhante foi registrada em Tupanciretã, onde houve decreto de emergência e adoção de medidas para racionalização do consumo de combustível. Parte do maquinário utilizado na conservação de estradas foi temporariamente retirada de operação, com redirecionamento do diesel para serviços essenciais.
Há relatos de racionamento nos postos e preços de até R$ 9,00 por litro pagos por produtores rurais. Em outras regiões do Estado, os produtores enfrentam dificuldades no abastecimento direto nas propriedades. Entregas parciais têm sido registradas, com volumes inferiores aos solicitados, como pedidos de 15 mil litros sendo atendidos com apenas 5 mil litros. Esse cenário tem levado produtores a buscar combustível diretamente em postos urbanos, com preços próximos de R$ 8,50 por litro. A restrição no fornecimento ocorre em um momento crítico do calendário agrícola. A colheita de soja está em andamento, enquanto o milho já colhido necessita de transporte para portos e armazéns. Nesse contexto, o frete apresentou aumento de 38%, ampliando a pressão sobre os custos logísticos. Há também percepção de retenção de estoques por parte de distribuidoras, em meio a um ambiente internacional adverso, com reflexos sobre o mercado interno. No Paraná, produtores relatam falta de diesel em algumas regiões, com indícios de represamento na cadeia de distribuição.
Diante disso, houve acionamento dos órgãos de defesa do consumidor. O Procon estadual iniciou notificações a postos de combustíveis por suspeita de elevação abusiva de preços, com prazo de 20 dias para apresentação de esclarecimentos. Como alternativa para mitigar os efeitos da crise, há discussão sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15%, com proposta de elevação de até 20%. Também é considerada a ampliação do uso de etanol na composição. O diesel representa cerca de 40% do custo do frete, o que amplia o impacto das altas sobre a cadeia de abastecimento e os preços ao consumidor final. O cenário é agravado pela combinação de fatores adversos, incluindo restrição na oferta de combustível ao final da safra, elevação e escassez de ureia para o próximo ciclo produtivo e risco de paralisação no transporte rodoviário. Apesar das limitações, a continuidade do plantio permanece como condição essencial para a manutenção da produção agrícola. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.