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24/Mar/2026

Brasil pode liderar agendas globais de alimentos e energia

Segundo a Datagro, o Brasil reúne condições para liderar simultaneamente as agendas globais de segurança alimentar e transição energética, mas ainda enfrenta fragilidades estruturais, especialmente na dependência de insumos importados. A análise aponta que o País já ocupa posição central no cenário internacional ao combinar escala produtiva, sustentabilidade e potencial de expansão, fatores que ampliam sua relevância nas discussões globais. O agronegócio brasileiro mantém forte presença na produção e exportação de commodities estratégicas, como soja, açúcar, etanol, café e carne bovina, consolidando sua competitividade nos mercados internacionais. No campo energético, os biocombustíveis são destacados como diferencial relevante, com histórico de substituição de combustíveis fósseis desde a década de 1970.

A expectativa é de continuidade da expansão, com aumento estimado de 4,5 bilhões de litros na produção de etanol na safra 2026/27. Apesar das vantagens, a dependência de fertilizantes importados permanece como um dos principais pontos de vulnerabilidade. A concentração de fornecedores internacionais, especialmente em regiões sujeitas a tensões geopolíticas, eleva os riscos para a produção agrícola. O cenário indica a necessidade de estratégias voltadas à redução dessa dependência, com foco em segurança de insumos, diversificação de origens e fortalecimento da competitividade estrutural do setor. A ESPM afirmou que países vêm adotando políticas mais defensivas e tratando alimentos como ativos estratégicos, em um cenário global marcado por múltiplas crises simultâneas. O ambiente atual é caracterizado por uma “era de policrises”, com interconexão entre fatores políticos, militares, econômicos, logísticos e ambientais, o que amplia os riscos sistêmicos e exige maior capacidade de resposta dos governos.

Nesse contexto, o agronegócio passou a ocupar posição central na geopolítica global, especialmente após a Guerra entre Rússia e Ucrânia, que expôs vulnerabilidades nas cadeias de alimentos, insumos e logística. Desde então, houve intensificação de medidas comerciais voltadas ao setor agrícola, incluindo a criação de novas regras e restrições à exportação de produtos considerados sensíveis, refletindo preocupações com segurança alimentar, controle de ativos estratégicos e acesso a recursos naturais. O movimento também se estende ao controle de investimentos estrangeiros no agronegócio, com maior atenção a riscos relacionados à influência sobre cadeias produtivas e infraestrutura logística. Outro ponto de destaque é a crescente relevância da água como recurso estratégico, com aumento da preocupação sobre acesso a fontes hídricas e aquíferos, especialmente em regiões mais vulneráveis.

A tendência global é de ampliação das restrições e maior controle por parte dos países, que passam a adotar posturas mais defensivas no comércio internacional, com impactos sobre fluxos de investimentos e relações comerciais. Para o Brasil, o cenário se torna mais complexo diante da rivalidade entre Estados Unidos e China, que já influencia diretamente o agronegócio. O País tem se beneficiado dessa disputa em determinados momentos, mas enfrenta desafios relacionados à crescente presença chinesa em diferentes etapas das cadeias produtivas. O contexto reforça a intensificação da pressão geopolítica sobre o setor, exigindo estratégias mais robustas para garantir competitividade, segurança de recursos e inserção internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.