24/Mar/2026
A senadora Tereza Cristina afirmou que os alimentos passaram a ocupar papel estratégico nas disputas globais, em um contexto de fragmentação da ordem internacional e aumento das tensões geopolíticas. Segundo a parlamentar, a produção agrícola deixou de ter caráter apenas econômico e passou a integrar de forma estrutural as relações internacionais, influenciando decisões ligadas à segurança nacional, estabilidade política e alinhamento estratégico entre países. A avaliação indica que o cenário atual representa uma mudança mais profunda na dinâmica global, marcada pela perda de protagonismo de modelos anteriores e pela formação de uma configuração com múltiplos polos de poder e menor coordenação internacional. Entre os fatores apontados estão o enfraquecimento da ordem unipolar consolidada após o período da Guerra Fria, as pressões sobre o sistema financeiro internacional e o desgaste de instituições multilaterais, além da transição energética em curso.
Nesse ambiente, setores ligados a recursos essenciais, como energia e alimentos, ganham relevância ampliada e passam a exercer influência direta nas relações de poder entre nações. A análise também destaca que a visão tradicional do comércio agrícola, baseada apenas em produtividade e preços, já não é suficiente para explicar o funcionamento do mercado global, diante do avanço de fatores geopolíticos. O cenário de maior instabilidade internacional reforça a importância estratégica do agronegócio, que tende a desempenhar papel cada vez mais relevante na configuração da nova ordem global. Tereza Cristina afirmou que o Brasil precisa assumir papel mais ativo na definição das normas do comércio internacional, diante de um cenário global mais fragmentado e politizado. Segundo a parlamentar, o País reúne condições relevantes no agronegócio, mas ainda precisa converter sua capacidade produtiva em influência estratégica nas decisões globais.
A avaliação destaca que o acesso a mercados passou a depender não apenas de competitividade, mas também de previsibilidade, confiança e articulação diplomática. O ambiente internacional tem sido marcado pela intensificação de disputas entre grandes potências, mudanças regulatórias e riscos logísticos, fatores que ampliam a complexidade das relações comerciais e impactam diretamente o agronegócio. A reorganização dos fluxos globais, impulsionada pela rivalidade entre Estados Unidos e China, cria oportunidades pontuais, mas também eleva a volatilidade e exige cautela para evitar dependências excessivas ou prejuízos a parcerias já consolidadas. Outro ponto de atenção é a crescente politização do comércio agrícola, com uso de barreiras regulatórias e ambientais como instrumentos de política externa, o que pode gerar distorções no mercado internacional.
A senadora também destacou a vulnerabilidade do Brasil em insumos estratégicos, especialmente fertilizantes, ressaltando a elevada dependência externa. Nesse contexto, a diversificação de fornecedores, o investimento em tecnologia e o fortalecimento de parcerias internacionais são apontados como medidas essenciais. A segurança alimentar, segundo a avaliação, ganhou status estratégico após eventos recentes globais, passando a integrar a agenda de segurança nacional e ampliando a relevância do comércio internacional. No cenário interno, foram apontadas fragilidades financeiras do setor, como custo elevado do crédito e baixa cobertura do seguro rural, fatores que contribuem para o aumento das recuperações judiciais no agronegócio. O contexto indica a necessidade de fortalecimento estrutural do setor, com maior integração entre política econômica, comercial e agrícola para ampliar a competitividade e reduzir riscos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.