23/Mar/2026
A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou orientações para atenuar os efeitos de choques no mercado de petróleo e reduzir pressões sobre os custos de famílias, indústrias e empresas intensivas em transporte aéreo e consumo de combustíveis para cozinha. As recomendações foram apresentadas em meio aos impactos provocados por conflitos envolvendo ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Entre as medidas sugeridas, o trabalho remoto é apontado como ferramenta relevante para reduzir o consumo de petróleo associado ao deslocamento casa-trabalho.
Três dias adicionais de trabalho remoto para profissionais cujas funções permitem essa modalidade poderiam reduzir o consumo de petróleo dos carros em 2% a 6%, com médias de até 20% para motoristas individuais. A redução de limites de velocidade nas rodovias em pelo menos 10 Km/h também é citada como forma de atenuar o consumo. Diminuir a velocidade em 10 Km/h pode reduzir o consumo de petróleo de um motorista individual em 5% a 10% e o consumo total por carros particulares em 1% a 6%, enquanto caminhões pesados de carga teriam economia em torno de 5%, devido às velocidades já mais baixas.
Outras recomendações incluem incentivar o transporte público, adotar rodízio de veículos particulares em grandes cidades, implementar compartilhamento eficiente para veículos comerciais e otimizar a entrega de mercadorias. A AIE também sugere redirecionar o uso de gás liquefeito de petróleo (GLP) do transporte. Atualmente, cerca de 2% da frota global de automóveis utiliza GLP, e a conversão desses veículos para gasolina ou uso bicombustível poderia preservar o suprimento de GLP para usos prioritários, como cozinha. AIE recomenda corte de voos para reduzir demanda de querosene.
A recomendação é reduzir viagens aéreas de negócios sempre que houver alternativas viáveis. Uma diminuição de cerca de 40% dos voos corporativos é factível no curto prazo e, com ampla adesão, poderia reduzir a demanda por querosene de aviação entre 7% e 15%. A agência também destaca que, diante da limitação crescente do fornecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP), a adoção de soluções elétricas e outras alternativas modernas para cozinhar pode compensar eventuais escassezes de combustível doméstico, preservando o GLP para usos prioritários.
Outras medidas sugeridas incluem maior flexibilidade no uso de matérias-primas petroquímicas e a implementação de ações de eficiência e manutenção de curto prazo. Priorizando o processamento de matérias-primas com maior disponibilidade, é possível reduzir a pressão sobre outros produtos petrolíferos. A otimização da operação e da manutenção de equipamentos pode diminuir o consumo de petróleo em instalações individuais em até 5%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.