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20/Mar/2026

Crédito ao Agro deve seguir pressionado em 2026

Segundo o Itaú BBA, a compressão das margens do produtor rural brasileiro deve persistir ao longo de 2026, sustentada pela combinação de sobreoferta global de grãos, valorização cambial e custo financeiro ainda elevado, em um cenário que tende a manter o crédito agro sob pressão e limitar a visibilidade de recuperação no curto prazo. O alívio observado na safra 2024/25 foi parcial e insuficiente para alterar o ambiente estruturalmente mais adverso para a rentabilidade do setor. O principal vetor de deterioração está na receita, enquanto parte relevante dos custos foi fixada em momentos de câmbio mais depreciado. No caso da soja, a queda dos preços no mercado doméstico intensificou a pressão sobre o fluxo de caixa do produtor.

No Porto de Paranaguá (PR), as cotações recuaram de cerca de R$ 120,00 por saca de 60 Kg em outubro de 2025 para aproximadamente R$ 100,00 por saca de 60 Kg no mercado spot, movimento agravado pela valorização do real, que impacta mais fortemente a receita do que proporciona alívio nos custos de insumos. A volatilidade dos combustíveis adiciona pressão adicional sobre a estrutura operacional. A redução das margens ocorre de forma disseminada nas principais regiões produtoras. Em Sorriso (MT), a rentabilidade da soja caiu de 70% na safra 2023/24 para 21% em 2024/25, com projeção de apenas 5% na temporada atual. Em Rio Verde (GO), Londrina (PR) e Cruz Alta (RS), o movimento segue a mesma tendência, ainda que com variações de intensidade, indicando um enfraquecimento generalizado da rentabilidade em diferentes perfis produtivos.

O cenário é agravado pelo aumento da alavancagem do setor após o ciclo favorável de 2021 e 2022. A elevação do endividamento, combinada com juros mais altos e menor geração de caixa, tem contribuído para a deterioração da qualidade do crédito rural e para o avanço da inadimplência, refletindo uma redução mais persistente na capacidade de pagamento dos produtores. Embora renegociações e prorrogações tenham atuado como mecanismo de amortecimento, esse suporte vem perdendo eficácia. A carteira agro prorrogada do Banco do Brasil atingiu R$ 64 bilhões, equivalente a 14% da carteira do segmento, enquanto a inadimplência desse conjunto se aproxima de 17%. Ao mesmo tempo, a cobertura da carteira agro recuou para cerca de 174%, abaixo dos níveis superiores a 200% observados anteriormente, indicando menor capacidade de absorção de novas perdas.

A maior exposição ao agronegócio torna o desempenho do Banco do Brasil mais sensível à evolução das margens no campo. Nesse contexto, a expectativa é de aumento das despesas com provisões, com impacto direto sobre os resultados financeiros. A projeção de lucro para 2026 foi revisada para R$ 21,2 bilhões, abaixo da faixa estimada entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, refletindo uma avaliação mais cautelosa sobre a capacidade de recuperação do setor agropecuário no curto prazo. As perspectivas indicam manutenção do ambiente desafiador ao longo de 2026, com pressão sobre rentabilidade, crédito e liquidez no campo, em um cenário que deve adiar uma recuperação mais consistente para a safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.