20/Mar/2026
O agravamento do conflito no Oriente Médio amplia os riscos logísticos e pressiona os custos no comércio internacional, com impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro. O cenário combina possíveis restrições em rotas marítimas, elevação dos prêmios de seguro e incertezas quanto à disponibilidade de contêineres, ao mesmo tempo em que intensifica o aumento dos preços do petróleo, fretes e fertilizantes. Esses fatores afetam o fluxo de exportações, a competitividade e as margens do setor, exigindo adaptação operacional, incluindo a busca por rotas alternativas para garantir o escoamento da produção. A intensidade dos impactos dependerá da duração e da abrangência do conflito, bem como da capacidade de reorganização logística global. O intercâmbio comercial entre Brasil e Irã apresenta relevância. Em 2025, as exportações brasileiras ao país somaram US$ 2,92 bilhões, com volume de 11,532 milhões de toneladas.
O milho liderou a pauta, com US$ 1,98 bilhão, equivalente a 68% do total, seguido por soja, com US$ 563,63 milhões, açúcar, com US$ 189,113 milhões, farelo de soja, com US$ 182,19 milhões, e café verde, com US$ 153,02 milhões. No sentido inverso, o Irã forneceu 184.738 toneladas de ureia ao Brasil, totalizando US$ 66,834 milhões. Considerando o conjunto do Oriente Médio, a região representou US$ 12,572 bilhões em embarques do agronegócio brasileiro em 2025, com volume de 25,121 milhões de toneladas. Os principais produtos exportados foram carne de frango, com US$ 3,082 bilhões, milho, com US$ 2,779 bilhões, açúcar, com US$ 2,258 bilhões, carne bovina, com US$ 1,217 bilhão, e soja, com US$ 919,59 milhões. Apesar dos riscos, a demanda por alimentos tende a se manter, com possibilidade de aumento das compras para formação de estoques de segurança em países da região.
No curto prazo, estoques já formados, especialmente durante períodos sazonais de maior consumo, contribuem para mitigar eventuais interrupções no abastecimento. A reorganização das rotas logísticas deve implicar maior tempo de transporte e custos adicionais, mas tende a garantir a continuidade dos fluxos comerciais, preservando o papel do Brasil como fornecedor relevante de alimentos em um cenário de instabilidade internacional. A adequação das rotas logísticas tornou-se o principal desafio para a manutenção dos embarques do agronegócio brasileiro ao Oriente Médio, diante das restrições operacionais nas principais vias de transporte. A região responde por 23% das exportações brasileiras de carne de frango, segmento que enfrenta limitações na logística, embora sem registros de cancelamento de cargas já contratadas.
No entanto, há interrupção na aceitação de novos embarques para o destino. O ambiente operacional é marcado por riscos de atrasos, necessidade de transbordos e aumento dos custos de armazenagem, em meio a gargalos intensificados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por bloqueios no Canal de Suez. Esse cenário pressiona o fluxo comercial e amplia a incerteza sobre prazos e custos logísticos. No mercado de café, o impacto ocorre predominantemente via logística, com elevação dos custos de frete e seguro nas rotas próximas ao Mar Vermelho e ao Oriente Médio. A mudança na dinâmica logística afeta a competitividade entre origens, especialmente para o café robusta, mais dependente do corredor asiático. O encarecimento do transporte tende a ser repassado ao preço final, podendo favorecer a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes como Vietnã e Indonésia.
No comércio de grãos, o milho apresenta maior sensibilidade, com 23% dos embarques destinados ao Oriente Médio, embora o risco no curto prazo seja atenuado pela sazonalidade dos fluxos. A soja concentra atenção adicional no momento, enquanto a carne bovina apresenta exposição de baixa a moderada e produtos como açúcar e soja indicam menor vulnerabilidade relativa. De forma geral, o impacto do conflito sobre o agronegócio ocorre menos pela retração da demanda e mais pela fricção no fluxo comercial. A necessidade de rotas mais longas, o aumento dos prêmios de seguro, a escassez de contêineres e a suspensão de novas reservas elevam os custos das transações e exigem ajustes operacionais ao longo da cadeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.