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18/Mar/2026

Crédito Rural: queda da Selic pode reativar demanda

Segundo o Banco do Brasil, a perspectiva de queda da taxa básica de juros tende a estimular a retomada da demanda por financiamentos no agronegócio, após um período marcado por margens comprimidas e maior cautela dos produtores. O movimento pode favorecer a transição de operações concentradas em custeio para a retomada de investimentos produtivos, especialmente na adoção de tecnologias. A expectativa é de que a redução da Selic contribua para a diminuição das taxas de juros, sobretudo nas linhas livres, ampliando o acesso ao crédito e tornando viáveis novos investimentos no campo. Esse cenário pode favorecer a modernização produtiva e a elevação da eficiência nas próximas safras. Do lado dos custos, ainda há incertezas relevantes na formação das lavouras futuras, com comportamentos distintos entre insumos.

Parte dos custos apresenta recuo, enquanto outros permanecem sujeitos a pressões, especialmente em função de fatores geopolíticos que podem impactar preços e oferta no mercado internacional. O volume de crédito ao setor deve permanecer estável ao longo do ano, com variação estimada entre queda de 2% e alta de 2%, mantendo o agronegócio como prioridade nas operações financeiras. A estratégia inclui atuação diferenciada para recuperação da inadimplência, com análise individualizada por perfil de produtor e maior atenção a segmentos com maior risco. Após sucessivos aumentos na inadimplência, que atingiu 5,17% nos atrasos superiores a 90 dias ao final de 2025, a expectativa é de inflexão a partir do segundo semestre de 2026.

O primeiro semestre ainda tende a apresentar dificuldades, mas a adoção de novas metodologias de análise de crédito pode contribuir para a redução gradual dos índices. A inadimplência apresenta comportamento heterogêneo entre regiões, culturas e portes de produtores. A maior parte dos clientes segue adimplente, com continuidade das atividades e acesso ao crédito, enquanto grupos específicos enfrentam maior necessidade de renegociação ou prorrogação de dívidas. Diante desse cenário, houve intensificação dos critérios de concessão de crédito, com maior exigência de garantias para perfis com maior risco. Ao mesmo tempo, operações em segmentos com situação financeira mais equilibrada seguem sem alterações relevantes, refletindo abordagem segmentada na gestão da carteira.

O setor atravessa um momento de ajuste, com diferentes estágios entre cadeias produtivas e perfis de produtores. Em alguns casos, o reequilíbrio pode ocorrer ainda neste ano, enquanto outros demandam processos mais estruturais, incluindo reestruturação de ativos e prazos mais longos para recuperação financeira. Apesar do ambiente desafiador, o agronegócio mantém trajetória de crescimento em produção, área plantada e produtividade. A tendência é de continuidade desse avanço, com parte dos produtores já ajustados e outros em processo de redução de endividamento, podendo demandar entre dois e três anos para pleno reequilíbrio. No âmbito regulatório, diretrizes recentes relacionadas à recuperação judicial de produtores rurais contribuem para maior uniformidade na interpretação da legislação e aumento da segurança jurídica.

As orientações reforçam a delimitação das dívidas elegíveis, a necessidade de comprovação contábil mínima, a exclusão de instrumentos como Cédulas de Produto Rural e a restrição a determinados tipos de financiamento, como aquisições de terras recentes e operações com recursos controlados. O avanço das recuperações judiciais ao longo da cadeia do agronegócio, incluindo fornecedores e indústrias, não configura risco sistêmico, mas reflete a propagação da inadimplência entre os elos. Medidas de renegociação e reestruturação tendem a contribuir para melhor distribuição dos fluxos de pagamento e manutenção da adimplência, reduzindo a necessidade de adesão a processos judiciais. O conjunto do cenário indica que a queda dos juros pode atuar como catalisador para a retomada do crédito e dos investimentos no campo, embora o ambiente ainda exija gestão cautelosa diante das incertezas de custos e do processo de ajuste financeiro em curso no setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.