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18/Mar/2026

Agronegócio entra em ciclo de acomodação no Brasil

Segundo o Bradesco, o agronegócio brasileiro entra em um ciclo de acomodação após um período de forte expansão, influenciado principalmente pelo ambiente de juros elevados, com a taxa Selic em 15%, e pela mudança na estrutura de financiamento da atividade. A maior participação de recursos livres, atrelados a taxas de mercado, eleva o custo financeiro da produção em comparação ao cenário observado há cerca de cinco anos, quando predominavam linhas com juros controlados. Esse contexto tende a conduzir um processo de desalavancagem do produtor rural ao longo dos próximos dois a três anos, sem caracterizar interrupção dos investimentos ou retração estrutural da atividade.

O movimento indica ajuste no ritmo de crescimento, com manutenção da expansão, ainda que em bases mais moderadas. Para a safra 2026/27, a expectativa é de continuidade do investimento na produção de grãos, sustentada pelo interesse do produtor em expandir a atividade e pela capacidade do mercado interno em absorver a produção de soja e milho, contribuindo para a diversificação de receitas. Fatores climáticos podem limitar ganhos de produtividade e resultar em desempenho semelhante ao de safras anteriores. Ao mesmo tempo, o ambiente geopolítico segue como vetor de risco, com impacto potencial de elevação nos custos de insumos.

A maior parte dos produtores apresenta receita financeira considerada saudável, com aproximadamente 90% da carteira de crédito do agronegócio mantendo regularidade, o que sustenta a continuidade de investimentos, operações de custeio e aquisição de maquinário. Por outro lado, cerca de 10% demandam maior atenção, com necessidade de alongamento de dívidas e ajustes financeiros decorrentes de pressões acumuladas nas últimas safras. Na oferta de crédito, as instituições financeiras mantêm gestão mais criteriosa das carteiras, em linha com as regras de provisionamento do Banco Central para ativos estressados.

Esse ambiente resulta em maior seletividade e possível restrição pontual, especialmente em operações com maior risco, ao mesmo tempo em que preserva o acesso ao crédito para produtores com bom histórico financeiro. A estratégia envolve adequação de prazos, fortalecimento de garantias, definição adequada de spreads e mitigação de atrasos nos pagamentos. Para a próxima safra, a expectativa é de manutenção do volume de crédito em níveis próximos aos dos últimos anos, inserida em um cenário mais cauteloso diante de incertezas geopolíticas, do ambiente eleitoral e da evolução da demanda global por grãos. A definição mais clara dessas variáveis deve ocorrer nos meses que antecedem o ciclo produtivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.