17/Mar/2026
A escalada das tensões no Oriente Médio e a volatilidade nos preços de energia devem marcar o tom da reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Analistas avaliam que o início do ciclo de flexibilização monetária permanece praticamente contratado, mas com maior probabilidade de um corte inicial mais moderado na taxa básica de juros. A incerteza associada ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o risco de pressões inflacionárias, principalmente por meio da alta do petróleo. O barril do Brent crude oil chegou a atingir níveis próximos de US$ 120 recentemente e segue acima de US$ 100, ampliando as preocupações com impactos sobre preços de combustíveis e cadeias produtivas.
Nesse contexto, cresce entre economistas a avaliação de que o Copom pode optar por uma redução inicial de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, em vez de um corte de 0,50 ponto que chegou a ser amplamente esperado nas semanas anteriores ao aumento das tensões geopolíticas. As expectativas inflacionárias também passaram a refletir esse ambiente mais incerto. Segundo o relatório Boletim Focus, a mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 3,91% para 4,10%, ainda abaixo do teto da meta de inflação de 4,50%. Parte dos analistas avalia que um corte menor permitiria ao Banco Central ganhar tempo para avaliar a duração e a intensidade do choque externo provocado pela alta das commodities energéticas.
Além disso, o cenário doméstico continua marcado por demanda aquecida, mercado de trabalho restrito e inflação de serviços ainda resiliente. Mesmo com o ambiente mais incerto, o início do ciclo de redução de juros segue como cenário predominante no mercado. A maioria das casas ainda projeta um corte de 0,50% na reunião atual, embora a probabilidade de uma redução menor tenha aumentado nas últimas semanas. Independentemente da magnitude do primeiro ajuste, analistas esperam que o Copom adote comunicação cautelosa, reforçando a dependência dos dados econômicos nas próximas decisões e sinalizando que o processo de flexibilização monetária poderá ocorrer de forma gradual. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.