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13/Mar/2026

Clima: risco de El Niño forte ganha força em 2026

Modelos climáticos internacionais indicam aumento da probabilidade de formação de um episódio de El Niño ao longo de 2026, com possibilidade de intensidade elevada no Oceano Pacífico equatorial. Projeções recentes apontam que o fenômeno pode se desenvolver após o enfraquecimento da atual La Niña fraca, com sinais de aquecimento progressivo das águas superficiais ao longo dos próximos meses.

Dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicam 98% de probabilidade de formação de um El Niño moderado até agosto de 2026, além de 80% de chance de ocorrência de um evento forte e cerca de 22% de probabilidade de atingir intensidade classificada como muito forte, frequentemente descrita como Super El Niño.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento de pelo menos 0,5°C das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Em episódios mais intensos, esse aquecimento pode superar 2°C em relação à média histórica, provocando respostas atmosféricas amplificadas e alterações significativas nos padrões climáticos globais. A ocorrência do fenômeno costuma seguir ciclos naturais com intervalos de aproximadamente dois a sete anos.

Projeções do modelo climático europeu indicam anomalias superiores a 2°C nas águas do Pacífico equatorial até julho de 2026, especialmente na região Niño 3.4, área considerada referência para monitoramento do fenômeno. Esse padrão de aquecimento é tradicionalmente associado ao desenvolvimento de episódios de El Niño.

Atualmente, o sistema climático global ainda apresenta influência de uma fase de La Niña fraca, caracterizada por temperaturas abaixo da média no Pacífico equatorial. Os modelos indicam que essa fase tende a enfraquecer ao longo dos próximos meses, abrindo espaço para um período de neutralidade climática antes da possível transição para El Niño após julho.

Caso as projeções se confirmem, os impactos climáticos poderão ser observados em escala global. Episódios intensos do fenômeno costumam elevar a frequência de ondas de calor, concentrar eventos de chuva intensa em determinadas regiões e provocar secas prolongadas em outras áreas. Alterações nas trajetórias de ciclones tropicais também costumam ocorrer em anos de El Niño.

No Brasil, a atuação do fenômeno tende a reforçar episódios de calor durante o verão e reduzir a intensidade das incursões de ar frio no inverno. O padrão atmosférico associado ao aquecimento do Pacífico dificulta o avanço de frentes frias sobre o território brasileiro, resultando em quedas de temperatura menos intensas e de menor duração.

Em escala global, eventos intensos de El Niño frequentemente estão associados a anos de temperaturas médias recordes. O aquecimento das águas oceânicas libera calor adicional para a atmosfera, processo que ocorre com defasagem temporal e pode ampliar os efeitos climáticos ao longo do ano seguinte ao pico do fenômeno.

O histórico recente reforça esse padrão. Durante o episódio de El Niño extremamente intenso registrado entre 2015 e 2016, diversas regiões tropicais enfrentaram impactos climáticos significativos, incluindo secas severas em áreas da África, da América Central, da Ásia e da Oceania. Regiões tropicais da América do Sul, África, Oriente Médio, Índia e Austrália também registraram episódios de calor e umidade extremos.

Outro possível efeito associado ao fenômeno ocorre no Oceano Atlântico, onde episódios de El Niño tendem a reduzir a atividade de tempestades tropicais. O aumento da intensidade dos ventos nas camadas médias e superiores da atmosfera dificulta a organização de ciclones tropicais, o que pode resultar em temporadas de furacões menos intensas.

Apesar do aumento das probabilidades, ainda existe incerteza relevante nas projeções climáticas para o período. As previsões relacionadas ao El Niño costumam apresentar menor confiabilidade no início do ano devido ao fenômeno conhecido como barreira de previsibilidade da primavera no Hemisfério Norte, período em que os modelos climáticos apresentam maior variabilidade.

Avaliações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica indicam que o cenário climático global ainda inclui possibilidades que vão desde a permanência de uma La Niña fraca até o desenvolvimento de um El Niño forte. As projeções tendem a ganhar maior confiabilidade a partir de junho, quando os modelos climáticos passam a apresentar maior consistência nas estimativas para o segundo semestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: G1. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.