ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

13/Mar/2026

Inflação no Brasil acelera para 0,70% em fevereiro

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação ao consumidor no Brasil registrou aceleração em fevereiro, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançando 0,70%, após alta de 0,33% em janeiro. No acumulado de 2026, o índice registra elevação de 1,03%, enquanto a taxa em 12 meses desacelerou para 3,81% até fevereiro, frente a 4,44% observados até janeiro.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou alta de 0,56% em fevereiro, após avanço de 0,39% em janeiro. Com o resultado, o indicador acumula aumento de 0,95% no ano e variação de 3,36% em 12 meses, abaixo da taxa de 4,30% registrada até janeiro. O índice mede a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários-mínimos chefiadas por trabalhadores assalariados.

Entre os grupos que compõem o IPCA, Alimentação e bebidas apresentou alta de 0,26% em fevereiro, após elevação de 0,23% em janeiro, contribuindo com 0,06 ponto porcentual para o resultado mensal. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio subiu 0,23%, após avanço de 0,10% no mês anterior, enquanto a alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,34%, desacelerando em relação ao aumento de 0,55% observado em janeiro.

Entre os itens alimentícios, o ovo de galinha registrou alta de 4,55% em fevereiro, inferior à variação de 15,39% observada em fevereiro de 2025. No sentido oposto, o café moído apresentou recuo de 1,20%, configurando o oitavo mês consecutivo de queda do subitem. Apesar da sequência de retrações, o café moído ainda acumula alta de 10,13% nos últimos 12 meses, após atingir pico de 82,24% em maio de 2025.

O grupo Educação apresentou a maior contribuição individual para o resultado mensal, com alta de 5,21% e impacto de 0,31 ponto porcentual no índice geral. O movimento reflete os reajustes anuais de mensalidades escolares no início do ano letivo. Dentro da categoria, os cursos regulares registraram aumento de 6,20%, com destaque para ensino médio, com alta de 8,19%, ensino fundamental, com avanço de 8,11%, e pré-escola, com elevação de 7,48%.

O grupo Transportes também contribuiu para a inflação mensal, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto porcentual no IPCA. Entre os itens, as passagens aéreas apresentaram aumento de 11,40%, movimento associado ao aumento da demanda no período de Carnaval. Por outro lado, houve queda nos preços de frutas, com retração de 2,78%, e da gasolina, com recuo de 2,95%, influenciado por reduções de preços praticadas por distribuidores no final de janeiro.

Na comparação histórica, apesar da aceleração em relação aos meses anteriores, o resultado de fevereiro foi o menor para o mês desde 2020, quando o índice havia registrado alta de 0,25%. Em fevereiro de 2025, o IPCA havia avançado 1,31%, influenciado principalmente por pressões no grupo Habitação, especialmente energia elétrica, em função do encerramento do bônus tarifário relacionado à usina de Itaipu.

Avaliações do mercado indicam que o comportamento recente do IPCA sinaliza o retorno de uma sazonalidade menos favorável para os preços de alimentos ao longo dos próximos meses. O avanço da alimentação no domicílio de 0,10% para 0,23% entre janeiro e fevereiro, aliado a indicadores recentes de preços agropecuários no atacado, sugere redução do efeito desinflacionário observado anteriormente no grupo.

Outro fator de atenção é a persistência da inflação de serviços, especialmente nos segmentos mais ligados ao mercado de trabalho, que acumulam alta próxima de 7% nos últimos 12 meses. O movimento reflete a resiliência do mercado de trabalho e reajustes salariais superiores à inflação, o que tende a manter pressão sobre o índice geral.

Nesse contexto, a continuidade do processo de desinflação no país dependerá do comportamento dos preços de alimentos e bens industriais, além de possíveis movimentos de alívio via taxa de câmbio ou queda das commodities. Projeções de mercado indicam inflação próxima de 3,8% ao final de 2026, com o resultado final condicionado à trajetória dos preços do petróleo e à política de reajustes de combustíveis no mercado doméstico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.