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13/Mar/2026

Guerra no Oriente Médio e risco inflacionário no Brasil

O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã amplia riscos inflacionários para o Brasil ao pressionar os preços internacionais de energia e insumos estratégicos para a produção. A escalada das tensões no Oriente Médio tende a elevar custos de combustíveis, gás natural e fertilizantes, com efeitos potenciais sobre cadeias produtivas e preços ao consumidor. Embora o aumento das cotações internacionais do petróleo possa gerar ganhos para a economia brasileira devido ao perfil exportador do produto, a situação é distinta no caso dos fertilizantes. O Brasil apresenta elevada dependência de importações nesse segmento, adquirindo aproximadamente 87% do volume utilizado nas lavouras. Parte relevante desse fornecimento é transportada por rotas marítimas que passam pelo Estreito de Ormuz, corredor logístico estratégico para o comércio global de energia e insumos agrícolas.

Entre os principais fornecedores associados a essa rota estão Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países que participam direta ou indiretamente da dinâmica regional de tensões. No caso do gás natural, a dependência externa brasileira é menor, situando-se entre 20% e 30% do consumo nacional. O País possui produção própria, porém parte relevante do gás extraído é reinjetada em poços produtores como estratégia para elevar a recuperação de petróleo ou em função de limitações na infraestrutura de transporte e distribuição. Mesmo com menor dependência externa, o gás natural e os fertilizantes exercem papel relevante na formação de custos da agricultura e da indústria. A elevação desses insumos tende a pressionar os custos de produção e, posteriormente, os preços de alimentos e bens finais ao consumidor. O ambiente de incerteza associado ao conflito também influencia as expectativas de política monetária no Brasil.

O Banco Central do Brasil havia sinalizado no início do ano a possibilidade de início de um ciclo de redução das taxas de juros, decisão tomada antes da intensificação das tensões militares no Oriente Médio. O Comitê de Política Monetária deverá avaliar os desdobramentos do cenário internacional nas próximas reuniões, previstas para os dias 17 e 18 de março, em um contexto de reavaliação das expectativas de mercado. A taxa básica de juros encontra-se em 15% ao ano, e eventuais reduções dependerão da avaliação da autoridade monetária sobre os riscos inflacionários e a evolução do cenário global. Diante das incertezas relacionadas à duração e à intensidade do conflito internacional, a tendência é de cautela na condução da política monetária, uma vez que os efeitos econômicos da guerra sobre cadeias produtivas e preços globais ainda estão em fase inicial de transmissão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.