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13/Mar/2026

Petróleo: países liberam reservas para conter preços

A Agência Internacional de Energia aprovou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo mantidas por países-membros com o objetivo de ampliar a oferta global e conter a alta dos preços da commodity em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A decisão foi tomada em reunião extraordinária da organização, que reúne 32 países e tem sede em Paris. A medida ocorre no contexto do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou interrupções no transporte marítimo de petróleo e ataques a instalações energéticas na região. Desde o início do conflito, o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi fortemente reduzido, afetando uma rota por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.

A paralisação parcial das exportações também impactou produtores regionais, como Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, que tiveram de reduzir a produção diante de limitações logísticas e de armazenamento. Ataques a instalações de petróleo e gás em diferentes pontos da região ampliaram as preocupações com a segurança do abastecimento energético internacional. A escalada das tensões elevou significativamente a volatilidade das cotações do petróleo. O barril do Brent chegou a se aproximar de US$ 120 antes de recuar para níveis inferiores a US$ 90, em meio a sinais de possível arrefecimento do conflito. Mesmo após o anúncio da liberação de reservas, o mercado manteve forte volatilidade, com novas altas registradas nas principais bolsas de commodities.

Nos contratos negociados na New York Mercantile Exchange, o petróleo WTI para abril encerrou o pregão em alta de 4,55%, a US$ 87,25 por barril. Já o Brent para maio avançou 4,76%, para US$ 91,98 por barril, em negociações realizadas na Intercontinental Exchange de Londres. Os países integrantes da Agência Internacional de Energia detêm atualmente mais de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas de emergência, além de cerca de 600 milhões de barris adicionais mantidos em estoques industriais obrigatórios. Até então, a maior liberação coordenada havia ocorrido após a guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, quando foram disponibilizados 182,7 milhões de barris ao mercado. As regras da AIE determinam que cada país-membro mantenha reservas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações de petróleo.

Os Estados Unidos mantêm uma estrutura própria de armazenamento, conhecida como Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, mesmo sendo atualmente exportadores líquidos da commodity. A utilização dessas reservas é considerada medida de último recurso em cenários de interrupção significativa da oferta global. Em situações de crise, o petróleo liberado é comercializado no mercado internacional com o objetivo de ampliar temporariamente a oferta e reduzir pressões sobre os preços. A decisão de recorrer aos estoques estratégicos envolve elevada incerteza, especialmente em contextos de conflito militar sem horizonte claro de duração. A extensão do bloqueio ao Estreito de Ormuz e a evolução das tensões geopolíticas permanecem como fatores determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global de petróleo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.