11/Mar/2026
A volatilidade recente no mercado internacional de petróleo passou a exercer influência direta sobre a formação de preços das commodities agrícolas, com a introdução de um prêmio geopolítico nas cotações de grãos. O movimento ocorre em meio às tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, fator que ampliou a instabilidade nos mercados de energia e repercutiu sobre ativos agrícolas negociados globalmente.
As oscilações observadas no petróleo foram expressivas mesmo em comparação com padrões históricos. Em determinado momento, o barril chegou a operar próximo de US$ 120 após registrar variação diária de quase US$ 38 no período anterior. Esse ambiente de elevada volatilidade passou a influenciar o comportamento de diversos mercados de commodities, incluindo os agrícolas.
No curto prazo, um dos principais fatores monitorados pelo mercado é a situação logística no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e derivados. A capacidade de trânsito de embarcações na região e o fluxo efetivo de cargas energéticas devem permanecer como variáveis centrais para a descoberta de preços nos mercados internacionais nos próximos dias.
No mercado de milho, os contratos com vencimento em julho na Bolsa de Chicago estavam próximos de US$ 4,40 por bushel após a divulgação do relatório de oferta e demanda de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, patamar considerado alinhado aos fundamentos de oferta e demanda. Nos últimos dias, as cotações avançaram para aproximadamente US$ 4,62 por bushel. Desse movimento, cerca de 20 centavos por bushel foram atribuídos ao prêmio geopolítico associado às tensões internacionais. Em determinados momentos, o adicional chegou a quase 40 centavos por bushel, com contratos de milho para dezembro se aproximando de US$ 5,00 por bushel.
A avaliação estrutural do impacto do conflito atual difere daquela observada durante a guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele episódio, as preocupações estavam concentradas no risco de interrupção das exportações de grãos pelo Mar Negro, região fundamental para o comércio global de trigo e milho. No caso atual, o Irã atua como importador líquido de grãos, com compras estimadas em cerca de 18 milhões de toneladas por ano, incluindo aproximadamente 10 milhões de toneladas de milho, o que reduz o risco de choque direto na oferta global.
O cenário agrícola global também difere de ciclos anteriores de forte pressão nos preços, como o período de 2007 e 2008, quando o petróleo se aproximou de US$ 150 por barril em um ambiente de estoques globais mais restritos de grãos exportáveis. Atualmente, os estoques mundiais são considerados amplos, o que limita a probabilidade de um movimento sustentado de alta apenas por fatores geopolíticos.
Diante desse contexto, repiques nas cotações são avaliados como oportunidades para avanço na comercialização da produção agrícola. Estratégias de vendas antecipadas já incluem contratos de milho e soja para safras futuras, inclusive para 2027. Em caso de novos movimentos de alta no curto prazo, a participação de vendas pode alcançar níveis entre 70% e 75% da produção projetada.
Com eventual redução das tensões geopolíticas, a atenção do mercado tende a retornar aos fatores fundamentais de produção agrícola, especialmente às condições climáticas nos Estados Unidos durante a primavera e o verão do Hemisfério Norte. O comportamento do clima nesse período será determinante para definir se os balanços de oferta e demanda de milho e soja no país apresentarão maior aperto ao longo de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.