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11/Mar/2026

Conflito EUA-Irã pressiona custos de grãos e logística

A escalada do conflito no Oriente Médio pressiona os preços internacionais do petróleo, fertilizantes e combustíveis e pode reduzir ou eliminar os ganhos obtidos pelos produtores de grãos com a recente valorização das commodities agrícolas. A elevação dos custos de produção e de logística tende a afetar diretamente a rentabilidade das cadeias agrícolas. Estimativas indicam que, a cada aumento de 10% nos preços de fertilizantes e do diesel, o custo operacional dos produtores de soja e milho no Brasil avança cerca de 5%. No transporte de cargas, o impacto é semelhante, com aumento entre 4% e 5% nos custos das transportadoras, dependendo da distância percorrida.

No Brasil, os principais desafios concentram-se na aquisição de insumos para a safra de inverno e para a próxima safra de verão, além do escoamento da produção atualmente colhida. Nos Estados Unidos, parte relevante dos insumos ainda não foi adquirida para a safra que será plantada nas próximas semanas, cenário que pode estimular a migração de área cultivada de milho para soja. Entre os fertilizantes, a ureia é apontada como o insumo com maior sensibilidade aos impactos do conflito. Pelo lado da demanda internacional, o Oriente Médio representa destino relevante para algumas cadeias exportadoras do Brasil. A região absorve cerca de 14% das exportações brasileiras de açúcar, 9% do milho exportado e 8% das vendas externas de carne de frango. Mesmo assim, o redirecionamento integral das exportações de frango e açúcar para outros mercados é considerado improvável no curto prazo.

No caso do milho, o efeito imediato tende a ser limitado pela sazonalidade, uma vez que o produtor brasileiro está no período de plantio da 2ª safra e os volumes destinados à exportação permanecem reduzidos nos próximos meses. Na carne de frango, a recuperação da produção global após o recuo dos casos de gripe aviária limita o potencial de altas adicionais nos preços internacionais. No açúcar, o balanço global apresenta relativa folga, com crescimento da oferta no Sudeste Asiático. Para o setor sucroenergético, a elevação dos preços do petróleo pode gerar efeito indireto positivo, já que eventuais reajustes na gasolina tendem a estimular maior direcionamento da cana para a produção de etanol nas usinas, ampliando o mix alcooleiro e contribuindo para mitigar parte dos impactos negativos.

Apesar do cenário internacional mais incerto, as exportações brasileiras de proteínas animais mantiveram ritmo elevado em fevereiro. Os embarques de carne bovina cresceram 20,9% no mês, alcançando novo recorde, com expansão para praticamente todos os destinos. China e Estados Unidos permaneceram como principais compradores, ambos operando com cotas para o produto brasileiro. As exportações de carne suína totalizaram 118 mil toneladas, com alta de 6%, impulsionadas principalmente pelas compras das Filipinas. Já os embarques de carne de frango avançaram 6% no mês e acumulam crescimento de 13,4% no primeiro bimestre do ano, com destaque para México e outros mercados que ampliam a diversificação geográfica das vendas externas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.