10/Mar/2026
O conflito no Oriente Médio pode gerar impactos temporários nas exportações brasileiras para países árabes, mas eventuais perdas tendem a ser parcialmente compensadas ou recuperadas ao longo do ano. A dependência dos países da região em relação às importações de alimentos, especialmente produtos agropecuários e commodities do Brasil, tende a sustentar a continuidade do fluxo comercial, mesmo diante de elevação dos custos logísticos. O fechamento ou restrição operacional no Estreito de Ormuz afeta parcialmente o comércio internacional, tanto nas exportações brasileiras para a região quanto nas exportações de petróleo e fertilizantes do Golfo para outros mercados. No entanto, a relevância do Brasil como fornecedor de alimentos para os países árabes, especialmente para garantir a segurança alimentar regional, tende a mitigar impactos mais severos sobre as vendas externas. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para os 20 países da Liga Árabe totalizaram US$ 15,91 bilhões.
Entre os principais produtos comercializados estão açúcar, carne de frango, milho, minério de ferro e carne bovina. Ainda não há avaliação consolidada sobre eventual retração desses fluxos comerciais em função do conflito, embora já se observe aumento nos custos logísticos na região. Entre os efeitos imediatos identificados estão a elevação dos preços do frete marítimo, do petróleo e do seguro de cargas, além da redução de operações em determinadas rotas do Golfo por parte de armadores. Essas condições tendem a ampliar o custo do transporte internacional, ainda que não impeçam a continuidade das exportações. No curto prazo, o abastecimento alimentar na região não apresenta sinais de escassez. Os países árabes encontram-se no período do Ramadã, momento em que tradicionalmente os importadores reforçam os estoques para garantir oferta adequada ao consumo interno. Esse fator contribui para reduzir riscos imediatos de interrupção no fornecimento de alimentos.
Dependendo da evolução do conflito, não se descarta a possibilidade de aumento das importações de alimentos por parte dos países árabes com o objetivo de reforçar estoques estratégicos e ampliar a segurança alimentar. Em cenário de prolongamento das tensões, essa estratégia poderia elevar temporariamente o volume importado, enquanto uma resolução rápida tende a normalizar o fluxo comercial. A área mais diretamente impactada pelo conflito concentra-se nos países do Golfo, incluindo Irã, Qatar, Kuwait, Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã, que registraram episódios de bombardeios e ataques com mísseis. Entretanto, parte relevante dos países integrantes da Liga Árabe localiza-se no Mediterrâneo e no norte da África, como Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Sudão, Egito, Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. Esses mercados não dependem diretamente das rotas marítimas afetadas no Golfo e, portanto, apresentam menor exposição logística aos desdobramentos do conflito.
Além disso, alguns desses países também fornecem fertilizantes ao Brasil, o que pode contribuir para recompor parte do volume de adubos normalmente originados na região do Golfo, caso ocorram interrupções prolongadas na oferta. No transporte marítimo, existem rotas alternativas que podem ser utilizadas para acesso ao Golfo Pérsico, incluindo portos localizados na costa oeste da Arábia Saudita, portos de Omã, além de trajetos que utilizam o Canal de Suez, conexões terrestres ou a rota pelo Cabo da Boa Esperança. Essas alternativas tendem a ampliar o tempo de trânsito das cargas, mas mantêm a viabilidade logística das operações. O cenário de incerteza geopolítica também reforça a importância de estratégias de presença regional para exportadores, incluindo a utilização de hubs de distribuição, plataformas logísticas e centros de processamento no Oriente Médio para garantir maior resiliência das cadeias de abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.