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09/Mar/2026

Brasil-Caribe-IICA alinham cooperação internacional

O secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, reuniu-se na quinta-feira (05/03), em Brasília, com ministros e representantes de países do Caribe e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). O encontro ocorreu na mesma semana da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe (LARC39) e teve como objetivo explorar oportunidades de cooperação, identificar sinergias e apresentar iniciativas estratégicas do Mapa com potencial de diálogo e parceria com os países participantes. Foi destacada a importância da aproximação do Brasil com a região, por meio do IICA, e ressaltado o papel da Embrapa no desenvolvimento tecnológico do agro brasileiro. O IICA destacou a importância dos países que compõem a Comunidade do Caribe (Caricom).

Também participam da reunião países que não fazem parte do bloco, mas que são parceiros, como o México. É fundamental para o IICA a união desses países, que juntos possuem uma agricultura relevante. A reaproximação com o Brasil será muito positiva e pode ajudar a alavancar as agriculturas de cada nação, contribuindo para a segurança alimentar global. São países que enfrentam desafios climáticos e outros problemas e que, em conjunto, podem superar essas dificuldades com mais facilidade. Durante a reunião, foi anunciada a criação do Hub de Inovação e Agricultura Sustentável das Américas na Guiana, para captar as demandas apresentadas pelos ministros e aprimorar o relacionamento com todo o Caribe. O tema foi alinhado entre Mapa, MRE, ABC, Embrapa e IICA, com tratativas iniciadas para a concretização do Hub. A perspectiva, nos próximos dias, é avançar no estabelecimento de um marco referencial para que, muito em breve, o Itamaraty, junto com o IICA, ABC e Embrapa, liderem o processo de criação do hub.

O Brasil vai levar tecnologia, know-how e expertise para compartilhar com os países do Caribe. O Brasil tem potencial para apoiar esses países que necessitam de cooperação. Como potência em agricultura tropical, o País dispõe de tecnologia, inovação e produtores capacitados para contribuir com o fortalecimento da agricultura e da pecuária. No encontro, representantes do Ministério da Agricultura explicaram o papel de cada secretaria da pasta e sua importância para o trabalho desenvolvido no Brasil em prol da agropecuária. Foram destacadas as políticas de sustentabilidade, como o Programa Caminho Verde Brasil, o Plano ABC+ e o Solo Vivo, além das políticas de crédito rural, apoio à comercialização e o seguro rural. A Secretaria de Defesa Agropecuária atua nos controles e na fiscalização e é responsável por assegurar a credibilidade sanitária que sustenta as certificações dos produtos do Brasil nos mercados internacionais.

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) detalhou as responsabilidades de sua área, que envolvem abertura de mercados, relações comerciais e exportações de produtos do agro. Foi evidenciado, ainda, que o primeiro carregamento de carne bovina brasileira chegou a São Vicente e Granadinas, começando a abastecer as prateleiras locais, um resultado concreto do fortalecimento da relação comercial bilateral. Além disso, estão sendo colhidas hortaliças e vegetais provenientes das sementes doadas pelo Brasil na missão do ano passado, o que é uma importante evidência do impacto direto e estruturante da nossa cooperação em segurança alimentar. Isso mostra o potencial concreto da presença e do apoio brasileiro ao Caribe. Foram discutidas estratégias para tornar a agricultura mais atrativa para as novas gerações, destacando o potencial de tecnologias como drones e agricultura de precisão para modernizar o setor e reduzir a migração de jovens das áreas rurais para as cidades.

Também foi enfatizada a necessidade de ampliar programas de formação e educação superior voltados à agricultura. Foram mencionados desafios práticos enfrentados pelos agricultores, como os impactos das mudanças do clima, a vulnerabilidade das ilhas ao aquecimento global, além de problemas de manejo pós-colheita que afetam a qualidade e a vida útil dos produtos. Outro ponto central foi a importância de garantir mercados estáveis e confiáveis para estimular a produção agrícola. Os participantes também discutiram problemas de segurança no campo, em particular o roubo de colheitas, considerado um desafio relevante em alguns países do Caribe. Como possíveis respostas, foram mencionadas a adoção de tecnologias de monitoramento e a criação de unidades policiais especializadas em segurança agrícola. Alguns países compartilharam experiências e desafios específicos.

Representantes de São Cristóvão e Névis relataram prejuízos causados por animais que invadem plantações, enquanto representantes do Haiti destacaram a gravidade da insegurança alimentar no país, onde mais da metade da população enfrenta dificuldades de acesso a alimentos. Todos enfatizaram o interesse em fortalecer a cooperação regional para enfrentar desafios ligados à segurança alimentar. A reunião também reforçou a importância da cooperação entre países e organismos internacionais, com destaque para o papel do IICA na promoção de iniciativas de desenvolvimento agrícola na região. De modo geral, a experiência brasileira foi apresentada como referência para países tropicais. Ao final, destacou-se que o fortalecimento da agricultura na região depende da combinação de inovação tecnológica, acesso a mercados, segurança no campo e cooperação internacional, especialmente no desenvolvimento de soluções adaptadas às condições da agricultura tropical. Fonte: Ministério da Agricultura. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.