09/Mar/2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha os possíveis impactos do conflito envolvendo o Irã e outras áreas do Oriente Médio sobre os preços internacionais de petróleo e fertilizantes, diante do risco de reflexos nos custos de combustíveis e alimentos no Brasil. A avaliação interna considera que o principal fator de preocupação está associado ao potencial efeito inflacionário desses movimentos, especialmente caso o conflito se prolongue e provoque elevação mais consistente das cotações de energia e insumos agrícolas no mercado internacional.
Segundo interlocutores do governo, as projeções sobre a evolução do conflito ainda são marcadas por elevado grau de incerteza. Diplomatas responsáveis pelo acompanhamento da situação internacional avaliam que não há clareza sobre a duração ou a intensidade da escalada militar nas próximas semanas, o que dificulta estimativas mais precisas sobre seus desdobramentos econômicos. Entre os elementos que ampliam as incertezas estão a dimensão territorial do Irã, a ausência de uma oposição política organizada capaz de assumir o poder e os possíveis efeitos da crise sobre países vizinhos da região.
A leitura dentro do governo é de que a persistência do conflito tende a ampliar pressões inflacionárias globais, com reflexos potenciais também na economia brasileira. Nesse contexto, a orientação no Palácio do Planalto é acompanhar a evolução do cenário internacional com cautela, buscando evitar que oscilações externas se traduzam em aumentos expressivos de preços no mercado doméstico. Até o momento, não há definição de medidas específicas para mitigar eventuais variações de preços, uma vez que o governo ainda não identificou impactos concretos mais amplos na economia brasileira.
No mercado de combustíveis, porém, já há relatos de aumento de preços ao longo da cadeia de distribuição. De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes, as distribuidoras passaram a elevar os valores de fornecimento aos postos nos últimos dias, possivelmente em razão do aumento dos custos de aquisição nas etapas de refino, especialmente em refinarias privadas, e também nas operações de importação. Os postos revendedores representam o último elo da cadeia de comercialização e acabam absorvendo os reajustes aplicados pelas distribuidoras, o que pode resultar em repasses ao consumidor final. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.