09/Mar/2026
O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrou alta em fevereiro, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de queda. O indicador atingiu média de 125,3 pontos, avanço de 0,9% em relação ao nível revisado de janeiro, embora permaneça 1,0% abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. O movimento foi impulsionado principalmente pela valorização do trigo, de óleos vegetais e de algumas categorias de carne, superando as quedas observadas nos preços do açúcar e dos lácteos.
O subíndice de preços dos cereais avançou 1,1% na comparação mensal. A elevação foi liderada pelo trigo, refletindo preocupações com geadas em áreas produtoras da Europa e dos Estados Unidos, além de interrupções logísticas persistentes na Federação Russa e na região do Mar Negro. O índice do arroz apresentou alta de 0,4%, sustentado pela continuidade da demanda internacional por variedades especiais do grão.
O subíndice de óleos vegetais registrou aumento de 3,3% em fevereiro, alcançando o maior nível desde junho de 2022. Os preços do óleo de palma foram sustentados pela demanda global firme e pela redução sazonal da produção no Sudeste Asiático. No caso do óleo de soja, a valorização esteve associada às expectativas de medidas de incentivo ao setor de biocombustíveis nos Estados Unidos.
No segmento de proteínas animais, o subíndice de carnes avançou 0,8% no período. A valorização da carne bovina foi sustentada pela demanda de importação de China e Estados Unidos, enquanto os preços da carne ovina atingiram níveis recordes no mercado internacional.
Em sentido oposto, o subíndice de açúcar recuou 4,1% em fevereiro em relação a janeiro e acumula queda de 27,3% na comparação anual, refletindo a expectativa de oferta global ampla na atual temporada. O subíndice de lácteos registrou retração de 1,2%, pressionado principalmente pela redução nos preços do queijo, apesar da valorização observada nas cotações de manteiga e leite em pó.
No campo das perspectivas para 2026, as estimativas indicam redução de cerca de 3% na produção mundial de trigo, projetada em 810 milhões de toneladas. A retração está associada à menor área semeada na União Europeia, na Rússia e nos Estados Unidos, como resposta ao recuo recente nos preços da commodity.
Para o Hemisfério Sul, as projeções iniciais apontam cenário positivo para o milho. A expansão da área cultivada e condições climáticas favoráveis indicam produções acima da média na Argentina e no Brasil. Na África do Sul, as projeções apontam para uma segunda safra consecutiva recorde em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.