06/Mar/2026
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, mantém as cotações do petróleo sob pressão e amplia a aversão ao risco nos mercados globais de commodities, incluindo os grãos. O canal concentra cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo e aproximadamente 38% do abastecimento energético da China, fator que começa a intensificar a pressão do governo chinês por normalização do fluxo comercial.
Após uma tentativa de estabilização observada no dia anterior, os mercados de energia voltaram a registrar valorização na manhã desta quinta-feira. A sinalização de que os Estados Unidos podem organizar escoltas navais para garantir a passagem de embarcações pelo estreito contribuiu para reduzir parcialmente a tensão, embora o cenário permaneça volátil.
O avanço dos preços da energia já começa a produzir reflexos na economia norte-americana, especialmente sobre o consumidor final, diante da alta nas cotações da gasolina. Caso as tensões persistam e os preços energéticos continuem avançando às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, diversos mercados podem reagir com maior intensidade.
Outro fator monitorado envolve os custos de produção agrícola. As cotações da ureia registram elevação no mercado norte-americano, ampliando o custo de culturas mais intensivas em fertilizantes. Nesse contexto, produtores com áreas ainda não comprometidas podem ampliar o plantio de soja em detrimento do milho, uma vez que a oleaginosa apresenta custo de produção relativamente menor.
As decisões finais de plantio devem ganhar maior clareza nas próximas semanas, à medida que o mercado se aproxima da divulgação do relatório de intenção de plantio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, prevista para 31 de março.
No mercado de milho, as vendas externas dos Estados Unidos voltaram a apresentar maior dinamismo nos últimos dias. Compradores do setor de ração da Coreia do Sul estiveram entre os que retomaram negociações recentes, indicando manutenção da demanda global pelo cereal mesmo na segunda metade do ano comercial.
O desenvolvimento da 2ª safra de milho de 2026 no Brasil também permanece no radar do mercado internacional. Parte das lavouras foi semeada após a janela considerada ideal para produtividade, o que eleva a sensibilidade da produção às condições climáticas nas próximas semanas. Eventuais problemas produtivos no país poderiam ampliar a demanda internacional pelo milho norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.