06/Mar/2026
A China definiu meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% para 2026, em um movimento que reconhece a desaceleração da expansão econômica e amplia a margem de manobra das autoridades diante da fraqueza da demanda doméstica e da incerteza no cenário externo. O anúncio foi realizado pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, durante a abertura da 14ª Assembleia Popular Nacional, em Pequim. A nova meta sucede o objetivo de crescimento de cerca de 5% estabelecido para 2025, que foi alcançado em meio à resiliência das exportações, mesmo diante das tensões comerciais com os Estados Unidos.
O governo chinês também manteve a projeção de déficit fiscal em 4% do PIB para 2026, indicando continuidade da política de estímulo à atividade econômica. No campo da inflação, a meta para o índice de preços ao consumidor foi mantida em cerca de 2%. Em 2025, o indicador permaneceu praticamente estável em relação ao ano anterior, resultado que ficou significativamente abaixo do objetivo oficial e refletiu a persistência de pressões deflacionárias e demanda interna ainda enfraquecida.
A política econômica também inclui metas voltadas ao mercado de trabalho. O governo pretende criar 12 milhões de novos empregos em 2026 e manter a taxa de desemprego em torno de 5,5%, objetivos semelhantes aos adotados no ano anterior. Como parte das medidas de estímulo, as administrações locais poderão emitir até 4,4 trilhões de yuans em títulos destinados ao financiamento de projetos de investimento e apoio ao crescimento econômico. Além disso, está prevista a emissão de 1,3 trilhão de yuans em títulos de prazo ultralongo ao longo do ano, volume equivalente ao autorizado em 2025.
A meta de crescimento do PIB entre 4,5% e 5% para 2026 representa o objetivo mais baixo desde a década de 1990 e sinaliza o reconhecimento, pelo governo, dos desafios enfrentados pela economia do país. Entre os fatores citados estão o consumo doméstico moderado, a desaceleração dos investimentos e a fragilidade persistente do setor imobiliário. Caso o crescimento efetivo fique abaixo de 5%, o resultado representará o desempenho anual mais fraco da economia chinesa em mais de três décadas, desconsiderando o período da pandemia de Covid-19.
Em 2025, a economia da China registrou expansão de 5%, sustentada por um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, mesmo em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos. A definição de uma meta menos ambiciosa para 2026 também amplia a margem de gestão das autoridades diante de riscos externos, incluindo conflitos geopolíticos no Oriente Médio e disputas comerciais com o governo norte-americano. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) mantém a estratégia de fortalecimento da manufatura avançada e da autossuficiência tecnológica.
Apesar de a liderança chinesa em segmentos como veículos elétricos, inteligência artificial e robótica, o mercado interno ainda enfrenta pressões associadas à deflação, excesso de oferta em alguns setores, redução das margens de lucro corporativas, estagnação salarial e níveis elevados de desemprego entre jovens. Com o objetivo de estimular a demanda doméstica, o governo lançou instrumentos de financiamento que somam 800 bilhões de yuans.
O pacote inclui 250 bilhões de yuans em bônus especiais destinados a programas de renovação de eletrodomésticos e veículos, além de 100 bilhões de yuans em linhas de crédito voltadas a famílias e empresas. Ao fixar a meta de crescimento entre 4,5% e 5%, a estratégia econômica chinesa também se aproxima do patamar mínimo estimado de 4,17% necessário para que o país alcance, até 2035, o objetivo de elevar a renda per capita ao nível de economias desenvolvidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.