05/Mar/2026
A escalada militar no Oriente Médio, após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, ampliou o prêmio de risco e a volatilidade nos mercados globais de energia, fertilizantes e alimentos, com reflexos diretos sobre os custos de produção e logística do agronegócio brasileiro. O petróleo tipo Brent registrou alta superior a 10%, superando US$ 80 por barril. A interrupção na navegação na região elevou custos de seguro e frete marítimo, encarecendo o diesel utilizado nas operações agrícolas e no transporte interno da produção. O aumento pressiona margens, especialmente em culturas de menor valor agregado. O frete marítimo mais caro também impacta as exportações de grãos, carnes e açúcar, além da importação de fertilizantes.
No mercado de insumos, o Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia, e o Irã é relevante produtor de fertilizantes nitrogenados. Após a intensificação do conflito, o preço da ureia no Egito subiu 10%, superando US$ 540 por tonelada. A elevação reflete tanto o aumento dos custos energéticos quanto o risco de interrupções na produção. O Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes consumidos, sendo que aproximadamente um terço da ureia importada tem origem no Oriente Médio. O impacto imediato é parcialmente mitigado pela sazonalidade, uma vez que o País não se encontra no pico de compras de nitrogenados. Para a 2ª safra de 2026, o volume de fertilizantes já foi adquirido. No caso da safra de verão (1ª safra 2026/2027), as compras alcançam 30%, abaixo da média histórica de 40%.
O custo por hectare pode aumentar em culturas intensivas em nitrogênio, como milho e trigo, o que tende a exigir estratégia de compras escalonadas para reduzir a exposição à volatilidade. No comércio exterior, o Oriente Médio é destino relevante das exportações brasileiras de milho, carne de frango, carne bovina e açúcar. Em 2025, o Irã respondeu por 23% das exportações brasileiras de milho. O cenário atual eleva o risco de aumento de custos logísticos e eventual necessidade de rotas alternativas. Em paralelo, produtores dos Estados Unidos e da Europa também precisam adquirir nitrogênio para as próximas safras. Fertilizantes mais caros podem reduzir a área de plantio de milho nos Estados Unidos, com potenciais reflexos sobre a oferta global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.