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05/Mar/2026

Crise no Oriente Médio e impactos no Agronegócio

O fechamento do Estreito de Ormuz, anunciado pelo Irã, no sábado (28/02), em resposta aos ataques de Estados Unidos e Israel, redefiniu o ambiente de risco global. A restrição na principal rota estratégica de energia do mundo elevou o prêmio logístico internacional, pressionando fretes e seguros marítimos. O petróleo voltou a subir, reacendendo a transmissão de preços para o complexo energético e agrícola. A valorização do petróleo atua como vetor direto sobre o óleo de soja, insumo relevante para biodiesel, e sobre o etanol, cuja competitividade relativa melhora em ambientes de energia mais cara. Esse canal contribuiu para sustentar as cotações de soja e milho. Paralelamente, países que compõem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizaram aumento na produção diária de barris com o objetivo de conter movimentos especulativos e estabilizar expectativas.

Ainda assim, a ampliação de oferta não elimina o impacto logístico decorrente das restrições na rota estratégica. Para o Brasil, o cenário é ambíguo. Como exportador de petróleo, o País pode ganhar competitividade decorrente da alta da commodity. Contudo, no ambiente doméstico, o efeito dominó e pernicioso é inevitável. O petróleo mais caro pressiona o diesel, encarece o transporte rodoviário e marítimo, eleva o custo logístico interno e causa impacto direto na formação de preços no campo. O canal inflacionário torna-se relevante. Energia mais cara eleva custos de transporte, provoca impacto em fertilizantes e encarece insumos agrícolas. Esses aumentos tendem a se transmitir em efeito cascata para alimentos e demais bens da economia, ampliando o risco inflacionário doméstico.

Em um cenário de inflação mais persistente, cresce a pressão sobre a política monetária, com possíveis reflexos sobre juros e crédito, variáveis sensíveis para o setor produtivo. O mercado de fertilizantes também entra na equação. A combinação de preço do petróleo elevado e risco logístico nas rotas internacionais amplia prêmios de frete e seguros, pressionando cotações de nitrogenados. O Brasil, que é dependente de importações de fertilizantes, permanece sensível a esse canal de transmissão. No campo comercial, surge uma reflexão estrutural e pertinente que se faz em diversos corredores do mercado nacional. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 9 milhões de toneladas de milho ao Irã, volume que representa cerca de um quarto das exportações totais do cereal.

Se o fluxo for comprometido seja por dificuldades logísticas, situações de bloqueios de contas ou mesmo por sanções ou rearranjos diplomáticos, o que não parece ser estes os casos, o mercado brasileiro se deparará com a necessidade de redirecionar volumes significativos do cereal. Essa redistribuição depende de competitividade estrutural, custo logístico e capacidade de absorção de novos mercados. O cenário é mais delicado do que aparenta. Não se trata de volatilidade pontual, mas de uma reorganização estrutural de risco global que pode perdurar por período prolongado. Em um ambiente de realinhamento geopolítico, competitividade não é apenas preço. É estrutura. Aqui todo cuidado é pouco e a observância de ferramentas de gestão de risco necessárias. Fonte: Andrea Cordeiro. Broadcast Agro.