04/Mar/2026
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta crescimento de 1,22% para o PIB da agropecuária em 2026, após avanço de 11,7% em 2025. A estimativa é preliminar e deverá ser revisada após a consolidação dos resultados anuais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A revisão decorre, sobretudo, da base de comparação mais elevada do que a anteriormente estimada. Em dezembro, a projeção da entidade indicava expansão de 2,3% para o setor neste ano. A recalibração reflete o desempenho acima do esperado em 2025, que elevou o patamar de comparação. Para 2026, a avaliação é de desenvolvimento positivo da safra e crescimento da maioria dos segmentos pecuários, com exceção da carne bovina, que ingressa em ciclo baixista.
O andamento da safra ainda requer monitoramento, considerando que a safra de verão (1ª safra 2025/2026) está em fase de colheita e o segundo ciclo está em implantação. Apesar da perspectiva favorável, o desempenho final dependerá da evolução climática e produtiva nas diferentes regiões. Com crescimento inferior ao dos demais setores, a participação da agropecuária no PIB Brasil deve recuar de 7,54% em 2025 para aproximadamente 6,9% em 2026. Em 2025, o avanço de 11,7% do PIB agro superou a projeção de 8,3% divulgada em dezembro. O resultado foi impulsionado por safra recorde de grãos e desempenho positivo da pecuária.
Além de soja e milho, destacaram-se as safras de café conilon, laranja e arroz, enquanto o feijão exerceu contribuição negativa. A pecuária de corte e leiteira também colaborou com o crescimento, apoiada por exportações em níveis elevados. A participação da agropecuária no PIB nacional passou de 6,91% em 2024 para 7,54% em 2025. O crescimento do setor respondeu por 0,8% do PIB total no ano passado, sendo determinante para que o País registrasse expansão superior a 1,5%. Para 2026, os principais pontos de atenção incluem incertezas climáticas, salvaguardas chinesas sobre a importação de carne bovina, tensões no Oriente Médio com reflexos sobre fertilizantes e embarques agropecuários, volatilidade do dólar frente às principais moedas, manutenção de juros elevados, políticas de transferência de renda, atratividade do Brasil como moeda emergente, redução do poder de compra das famílias e menor crescimento real do salário-mínimo.
No primeiro trimestre de 2026, a tendência é de desempenho positivo, com a entrada da soja da safra 2025/26. O excesso de umidade durante o ciclo pode influenciar a qualidade dos grãos, aspecto que ainda será avaliado. O plantio da 2ª safra de milho de 2026 também será determinante para o desempenho do segundo trimestre. Sazonalmente, o PIB da agropecuária apresenta maior intensidade no primeiro trimestre, impulsionado pela colheita da safra de verão (1ª safra). No segundo trimestre, o ritmo tende a arrefecer, com terceiro trimestre mais fraco e retomada de aceleração no quarto trimestre, apoiada na colheita de culturas de inverno e no aumento do abate pecuário no período de fim de ano.
A MBAgro projeta crescimento entre 2% e 3% do PIB do agronegócio em 2026, após um desempenho excepcional em 2025, quando a agropecuária registrou expansão de 11,7% no Valor Adicionado, impulsionada principalmente pelas culturas de soja e milho. A expectativa é de moderação no ritmo de crescimento, em função da base de comparação mais elevada e de fatores climáticos ainda indefinidos. O primeiro semestre de 2026 tende a concentrar o maior impulso do ano, sustentado por nova safra cheia de soja, com impacto relevante sobre o resultado do primeiro e do segundo trimestres. A colheita deve gerar números expressivos já no primeiro trimestre, refletindo o peso da oleaginosa na composição do PIB setorial.
Ao longo do segundo semestre, a tendência é de perda gradual de intensidade, diante da dificuldade de repetir o desempenho do ciclo anterior. Diferentemente da transição entre 2023 e 2024, o setor inicia 2026 em patamar mais robusto, o que reduz o espaço para expansões mais acentuadas. Entre as variáveis de risco, destaca-se a 2ª safra de milho de 2026, atualmente em fase de plantio. O calendário mais tardio eleva a exposição a adversidades climáticas, ampliando a incerteza sobre produtividade e resultado final. Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam produção total de grãos praticamente estável em relação ao ano anterior, com crescimento estimado em 0%, o que limita a expectativa de avanço mais consistente do PIB agro.
O trigo também permanece no radar, por ser cultura de inverno e, portanto, sensível às condições climáticas. No segmento de proteína animal, especialmente na carne bovina, a transição do ciclo pecuário pode influenciar o desempenho. A cana-de-açúcar deve registrar crescimento moderado, estimado em torno de 5%, enquanto o café apresenta viés positivo, sustentado por investimentos realizados nos últimos anos. Após avanço superior a 12% da agropecuária no quarto trimestre de 2025 ante igual período do ano anterior, o setor deve continuar contribuindo de forma positiva para o PIB brasileiro em 2026, porém em ritmo mais compatível com base elevada e cenário climático ainda incerto. Grãos e pecuária seguem como principais vetores estruturais do desempenho do agronegócio.
A Tendências Consultoria projeta desaceleração significativa do PIB do agronegócio em 2026, com crescimento estimado em 1,3%, sujeito a risco de revisão para baixo. A principal fonte de pressão é a pecuária, cuja retração pode ser mais intensa do que o inicialmente previsto, limitando o desempenho agregado do setor. Pelo lado agrícola, a produção de grãos deve apresentar estabilidade, com alta de apenas 0,2%, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) considerados pela consultoria. A soja tende a registrar novo recorde, com expansão estimada em 3,8%, enquanto milho, arroz, feijão, trigo e algodão apresentam projeções de queda.
No índice de produção, utilizado como proxy para o PIB do setor, a soja responde por 24% do total, enquanto a carne bovina tem peso de 18,5%. A expectativa é de retração de 8,3% na produção de carne bovina em 2026, refletindo a inversão do ciclo pecuário. Entre as demais proteínas, o frango deve crescer entre 2% e 2,2%, suínos 0,2%, enquanto leite e ovos tendem à estabilidade. Além da soja, café e cana-de-açúcar devem contribuir para mitigar parcialmente o impacto negativo da pecuária. A produção de café deve apresentar crescimento relevante, embora represente 8,5% do índice da consultoria. A cana-de-açúcar, por sua vez, deve avançar 5,8%.
Ainda assim, o efeito combinado dessas culturas não deve ser suficiente para repetir o desempenho expressivo observado em 2025. Ao longo de 2026, a trajetória projetada indica desaceleração gradual. A consultoria estima crescimento de 2,5% no primeiro trimestre ante igual período de 2025, seguido por 1,0% no segundo trimestre, 0,6% no terceiro e 0,3% no quarto. O início do ano deve ser sustentado pela colheita de soja, porém distante das taxas de dois dígitos registradas em 2025. No segundo semestre, a pecuária tende a concentrar a fraqueza do setor. O risco climático também permanece no radar. A possibilidade de formação de um novo evento de El Niño ao longo do ano pode alterar o cenário, embora os impactos mais relevantes, no momento, estejam projetados para 2027.
Uma eventual antecipação do fenômeno poderia afetar tanto grãos quanto pecuária, com pastagens mais secas, aumento de custos e pressão adicional sobre a rentabilidade do produtor. Em 2025, o desempenho do agronegócio foi robusto, com crescimento de 11,7%, superando a estimativa anterior da consultoria, de 10,9%. O avanço foi impulsionado por safras recordes de grãos, com alta de 22,2% no milho, 20,6% no arroz e 13,4% na soja. No quarto trimestre, a pecuária apresentou resultado acima do esperado, com desempenho mais intenso da carne bovina, contribuindo para o resultado final superior às projeções. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.