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04/Mar/2026

Irã: conflito amplia riscos comerciais para o Brasil

O Irã adquiriu 9 milhões de toneladas de milho do Brasil em 2025, consolidando-se como principal mercado individual do cereal. O Oriente Médio respondeu por cerca de 30% das exportações brasileiras de milho no período, evidenciando elevada exposição do fluxo comercial à escalada do conflito na região. A intensificação e eventual prolongamento das tensões podem comprometer a capacidade de compra do Irã e ampliar gargalos logísticos nos portos e na infraestrutura regional. Além do milho, o Oriente Médio absorveu 26% das exportações brasileiras de carne de frango e pouco mais de 14% das de açúcar em 2025. Trigo, carne bovina e farelo de soja também registraram participação relevante, com 9%, 6% e 3%, respectivamente, conforme dados do Siscomex.

No campo das importações, a dependência brasileira em relação à região é ainda mais concentrada. Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 42% do enxofre importado pelo Brasil, 38% do ácido fosfórico, 34% da ureia, 17% dos adubos fosfatados e 12% da amônia. Parte significativa da ureia associada ao Irã transita por Omã antes de chegar ao mercado brasileiro. Cloreto de potássio (KCl) e diesel também figuram na pauta, com 10% cada. Mais de 30% da ureia global passa pelo Estreito de Ormuz, considerado principal gargalo para o escoamento de petróleo, gás natural liquefeito e derivados da Península Arábica. O tráfego de navios na região chegou a níveis próximos de zero, refletindo riscos de ataques e suspensão de coberturas de seguro contra guerra.

O Estreito de Bab-Al Mandeb, no Mar Vermelho, rota estratégica para o Canal de Suez, representa outro ponto crítico, com potencial intensificação de ataques e necessidade de desvio para rotas mais longas e onerosas, como o Cabo da Boa Esperança. O prolongamento do conflito tende a elevar custos dos fertilizantes, com impacto direto sobre a safra brasileira 2026/27, cuja comercialização de insumos encontra-se em fase inicial. Nos fosfatados, a pressão é ampliada pela elevada dependência global da Arábia Saudita para enxofre e ácido fosfórico, além da decisão da China de suspender exportações de fertilizantes fosfatados até agosto, reduzindo alternativas de suprimento. A oferta global de enxofre concentra-se na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Irã e Kuwait, com logística dependente das rotas pelo Estreito de Ormuz e pelo Canal de Suez.

No potássio, os impactos são considerados mais limitados, embora haja exposição relevante a Israel como fornecedor ao Brasil. O cenário também contempla a suspensão da produção de gás natural liquefeito no Qatar, responsável por cerca de 20% da oferta global, e possíveis danos à infraestrutura de refinarias da Arábia Saudita. Diferentemente do conflito de curta duração registrado em junho do ano anterior, restrito a três países, o atual episódio apresenta maior abrangência geopolítica, com registros de ataques iranianos a locais com presença militar americana em Bahrein, Qatar, Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita, além de pressões adicionais no território israelense a partir do sul do Líbano. O ambiente amplia incertezas sobre a duração e os desdobramentos do conflito, elevando o risco comercial e logístico para cadeias estratégicas do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.