04/Mar/2026
O Produto Interno Bruto brasileiro avançou 0,1% no quarto trimestre de 2025 frente ao terceiro trimestre, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na comparação com o quarto trimestre de 2024, o crescimento foi de 1,8%, em linha com a mediana das projeções de mercado, que variavam de 1,5% a 2,6%. No acumulado de 2025, a economia brasileira expandiu 2,3%. Em valores correntes, o PIB do quarto trimestre totalizou R$ 3,3 trilhões, enquanto o PIB anual somou R$ 12,7 trilhões. O PIB per capita atingiu R$ 59.687,49 em 2025, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior, configurando o maior valor da série histórica.
O avanço de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro trimestre de 2025 fez a atividade econômica subir a patamar recorde dentro da série histórica iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo lado da demanda, o desempenho é impulsionado pelo consumo do governo, que também alcançou novo ápice no quarto trimestre de 2025. Lembrando que este ano é de eleições. Teve entrada de servidores no ano passado em diversos órgãos fundamentais. O consumo das famílias operava 0,1% aquém do maior nível da série alcançado no segundo trimestre de 2025.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos do PIB) está 12,6% abaixo do pico alcançado no segundo trimestre de 2013. Sob a ótica da oferta, o PIB de serviços subiu a novo ápice no quarto trimestre deste ano. Já o PIB da Indústria está 4,2% abaixo do pico alcançado no terceiro trimestre de 2013, prejudicada pela indústria de transformação, que opera em patamar 15,9% aquém do pico alcançado no terceiro trimestre de 2008. O PIB da Agropecuária teve um ano extraordinário ao longo de 2025, mas, por conta da sazonalidade das safras mais importantes, que são a soja e o milho, o pico da série manteve-se no primeiro trimestre de 2025, explicou Palis.
Pela ótica da oferta, o PIB da agropecuária cresceu 0,5% no quarto trimestre ante o terceiro e avançou 12,1% na comparação anual. No acumulado de 2025, a alta foi de 11,7%. A indústria recuou 0,7% na margem trimestral, mas registrou alta de 0,6% frente ao quarto trimestre de 2024 e expansão de 1,4% no ano. O setor de serviços apresentou desempenho heterogêneo, com destaque para atividades financeiras, que cresceram 3,3% na margem e 2,9% no acumulado do ano, além de informação e comunicação, com alta de 1,5% no trimestre e 6,5% em 2025. As indústrias extrativas avançaram 1,1% no trimestre e 8,6% no ano. Em contrapartida, transporte e armazenagem recuaram 1,4% na margem, a indústria de transformação caiu 0,6% no trimestre e 0,2% no ano, e a construção apresentou retração de 2,3% no quarto trimestre, embora tenha fechado 2025 com alta de 0,5%.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias ficou estável no quarto trimestre frente ao terceiro, com crescimento de 1% na comparação anual e de 1,3% no acumulado de 2025. O consumo do governo avançou 1,0% na margem, 3,6% na comparação anual e 2,1% no ano. A Formação Bruta de Capital Fixo recuou 3,5% no trimestre e 3,1% frente ao quarto trimestre de 2024, mas acumulou alta de 2,9% em 2025. A taxa de investimento ficou em 2,9% do PIB no ano. No setor externo, as exportações cresceram 3,7% na comparação trimestral e 14,2% frente ao mesmo período de 2024, acumulando alta de 6,2% em 2025. As importações recuaram 1,8% na margem e 0,3% na comparação anual do quarto trimestre, com avanço de 4,5% no acumulado do ano. A demanda interna respondeu por 2,0% da alta de 2,3% do PIB em 2025, enquanto o setor externo contribuiu positivamente com 0,3%, refletindo crescimento das exportações superior ao das importações.
O Consumo das Famílias registrou variação de 0,0% no quarto trimestre de 2025 em relação ao trimestre imediatamente anterior, evidenciando perda de fôlego da demanda doméstica. O desempenho foi influenciado pelo patamar elevado das taxas de juros e pelo maior nível de endividamento das famílias, que atingiu recorde ao longo de 2025, restringindo a capacidade de consumo. Apesar do mercado de trabalho aquecido, com geração de emprego e aumento da renda, e da manutenção de programas governamentais de transferência de renda, a política monetária restritiva e o elevado comprometimento financeiro das famílias exerceram pressão negativa sobre a demanda. Desde o terceiro trimestre de 2025, o Consumo das Famílias passou a apresentar estabilidade, movimento observado também no Produto Interno Bruto no mesmo período.
Sob a ótica da demanda agregada, no quarto trimestre de 2025, enquanto o Consumo das Famílias permaneceu estável, a Formação Bruta de Capital Fixo contribuiu negativamente para o resultado do PIB. Em contrapartida, o setor externo e a despesa de consumo do governo exerceram contribuição positiva para a atividade econômica. Pelo lado da oferta, as atividades mais sensíveis à política monetária foram as que mais pressionaram negativamente o resultado do período. O PIB avançou 0,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. No detalhamento setorial, os Serviços cresceram 0,8%, a Agropecuária expandiu 0,5% e a Indústria recuou 0,7%.
Avaliação do Banco Daycoval indica que o resultado do quarto trimestre reforça a predominância de componentes não cíclicos no desempenho agregado. A agropecuária e a indústria extrativa avançaram cerca de 12% na comparação anual do período, sustentando o crescimento. Por outro lado, itens mais sensíveis ao ciclo econômico, como consumo das famílias, indústria de transformação, formação de capital e construção, apresentaram desaceleração ao longo do ano. O consumo das famílias, que crescia próximo de 4% no início de 2025, encerrou o ano com expansão próxima de 1% na taxa anual, sinalizando impacto da política monetária restritiva sobre segmentos mais dependentes de crédito. O desempenho das exportações no quarto trimestre foi favorecido por embarques de soja e milho, impulsionados por safras recordes e pelo calendário logístico. Para 2026, a avaliação é de que o impulso da agropecuária tende a ser menor, enquanto eventuais estímulos ao consumo podem oferecer suporte aos itens cíclicos, em ambiente ainda marcado por política monetária restritiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.