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04/Mar/2026

Brasil: Agronegócio deve pressionar PIB em 2026

O desempenho positivo do agronegócio em 2025 tende a dar lugar a um cenário mais desafiador em 2026, com potencial de reduzir o ritmo de crescimento da economia brasileira. Após alta de 11,7% no Valor Adicionado da Agropecuária em 2025 e avanço de 12,1% no quarto trimestre ante igual período de 2024, o setor pode se tornar um dos principais vetores de desaceleração neste ano.

A projeção para o PIB brasileiro em 2026 é de crescimento de 1,7%, abaixo dos 2,3% registrados em 2025. Considerando que a cadeia do agronegócio representa cerca de 25% do PIB nacional, o enfraquecimento da atividade agropecuária tende a impactar de forma relevante o resultado agregado. A metodologia de cálculo do segmento é predominantemente quantitativa, baseada em volume produzido, e o cenário atual não indica incremento expressivo da produção agrícola.

Em 2025, o crescimento do setor foi sustentado pelo aumento de produção e produtividade, com destaque para milho, que avançou 23,6%, e soja, com expansão de 14,6%, ambos com safras recordes. No quarto trimestre, a agropecuária cresceu 12,1% na comparação anual, contribuindo para a elevação de 1,8% do PIB total no período.

Contudo, o resultado setorial refletiu essencialmente volume, e não rentabilidade. A dinâmica de margens foi desfavorável ao longo do ano, especialmente para produtores de soja e milho em Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A combinação de preços internacionais mais baixos com valorização do real reduziu a receita em moeda nacional, enquanto parte relevante dos insumos havia sido adquirida com o dólar em patamar mais elevado, comprimindo os resultados financeiros no segundo semestre de 2025.

Dados do Banco Central indicam níveis recordes de inadimplência em Estados agrícolas, com destaque para Mato Grosso, onde o endividamento do setor atingiu patamares elevados. Para 2026, as projeções iniciais apontam recuo na produção de grãos em relação a 2025. O risco também se estende a culturas como cana-de-açúcar e café, pressionadas por preços internacionais mais baixos e margens reduzidas. As quatro principais culturas (soja, milho, cana-e-açúcar e café) apresentam risco de queda ao longo do ano.

Diante do peso do agronegócio na economia e da abrangência de sua cadeia, que envolve insumos, indústria de transformação, logística e serviços, o enfraquecimento do setor tende a ampliar o efeito multiplicador negativo sobre o PIB. A combinação de menor volume com rentabilidade ainda pressionada configura um ambiente mais delicado que o observado em 2025, elevando o grau de preocupação para o desempenho econômico em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.