04/Mar/2026
A guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã amplia o risco para a economia brasileira, com potenciais impactos sobre inflação, taxa básica de juros, fluxo de capitais, câmbio e mercado acionário. O ambiente positivo observado no início de 2026, marcado por entrada de recursos externos, recordes na Bolsa e valorização do real frente ao dólar, tende a perder tração diante do aumento da incerteza global.
As estimativas indicam que, em um cenário de conflito prolongado por dois a três meses, combinado com câmbio entre R$ 5,40 e R$ 5,50 e petróleo entre US$ 85 e US$ 90 por barril, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo pode subir entre 1,5% e 2,0% adicionais em 2026, aproximando-se de 6%. A projeção-base para o IPCA permanece em 3,95%, mas o cenário alternativo considera deterioração nas condições externas.
Os efeitos mais diretos recaem sobre derivados de petróleo, especialmente o diesel, insumo central do frete rodoviário, além de fertilizantes, cuja produção e logística têm forte presença na região do Golfo Pérsico. As importações brasileiras provenientes dessa região somaram US$ 42,87 bilhões, equivalentes a cerca de 3,3% do total importado pelo País, com destaque para combustíveis minerais e fertilizantes, ampliando a sensibilidade da economia doméstica às oscilações de preços internacionais.
No mercado financeiro, o aumento da aversão ao risco tende a interromper temporariamente o fluxo favorável para países emergentes. A perspectiva de continuidade do movimento de queda do dólar e valorização da Bolsa pode ser revista, a depender da duração e intensidade do conflito.
No campo monetário, a taxa Selic está em 15% ao ano, maior nível em 20 anos, com expectativa de início do ciclo de cortes na reunião de 18 de março do Comitê de Política Monetária. O mercado projetava redução de 0,75%, mas, diante do cenário de maior incerteza externa e da prévia da inflação acima do esperado, a magnitude do corte pode ser reduzida para 0,5%.
Em termos de atividade, há risco de impacto negativo sobre o Produto Interno Bruto. O Banco Central do Brasil, por meio do Boletim Focus, projeta crescimento de 1,8% em 2026, enquanto o FGV Ibre estima expansão de 1,7%. A materialização de efeitos mais intensos sobre energia, fertilizantes, inflação e condições financeiras pode reduzir o ritmo de crescimento, a depender da extensão do conflito. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.