03/Mar/2026
O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira (02/03) em alta frente ao Real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior em meio ao aumento da aversão ao risco global após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana. O dólar fechou com valorização de 0,60%, cotado a R$ 5,16. Apesar do avanço, a moeda terminou o dia distante da máxima intradiária de R$ 5,21. Ao longo da sessão, exportadores e parte dos investidores aproveitaram os níveis mais elevados para realizar vendas, reduzindo o ritmo de valorização. No acumulado de 2026, o dólar apresenta queda de 5,90%.
O cenário geopolítico foi o principal vetor de suporte à moeda norte-americana. As ações militares resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e desencadearam reação iraniana, com lançamento de mísseis contra alvos em países árabes, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ordenou o ataque com o objetivo de impedir o avanço do programa nuclear e de mísseis balísticos de Teerã e sinalizou continuidade das operações pelo tempo necessário. O chefe do Estado-Maior Conjunto norte-americano, general Dan Caine, indicou que o cumprimento dos objetivos militares demandará tempo e poderá envolver novas baixas.
A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta do petróleo e ampliou a busca por ativos considerados seguros, pressionando moedas e títulos de países emergentes. No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,36%, aos 98,421 pontos.
Após o fechamento do mercado no Brasil, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial diariamente, e afirmou que embarcações que tentarem cruzar a região poderão se tornar alvos. Em reação, o dólar futuro para abril, o contrato mais líquido na B3, ampliou ganhos e subia 0,83%, cotado a R$ 5,21.
No campo doméstico, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil indicou revisão da mediana das projeções para o dólar ao fim de 2026, de R$ 5,45 para R$ 5,42. As estimativas, contudo, foram consolidadas até a sexta-feira anterior aos ataques. Para a taxa Selic ao fim de 2026, a expectativa recuou de 12,13% para 12%, enquanto para o encerramento de 2027 permaneceu em 10,50%. Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, cuja taxa básica se encontra na faixa de 3,50% a 3,75%, segue como fator de suporte ao fluxo de capitais para o mercado doméstico, contribuindo para a trajetória de apreciação do real observada nos últimos meses, apesar da volatilidade recente. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.