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03/Mar/2026

Conflito no Oriente Médio: impacto no comércio agrícola

A extensão do conflito no Oriente Médio será determinante para o magnitude dos efeitos sobre o comércio de produtos agropecuários brasileiros, considerando ajustes logísticos, formação de estoques e possíveis reconfigurações nas cadeias de abastecimento. A avaliação do governo indica que comércio encontra seus caminhos de forma dinâmica, porém a duração e a amplitude do confronto influenciam diretamente custos transacionais e fluxos de mercadorias.

Em cenários de curto prazo, é possível observar aumento nos volumes de compras de alimentos por parte de países importadores, motivado pela formação de estoques de segurança diante de incertezas geopolíticas, conforme experiências observadas em períodos de tensões na região nos últimos anos. O Oriente Médio responde por exportações do agronegócio brasileiro da ordem de US$ 12,572 bilhões, com 25,121 milhões de toneladas embarcadas em 2025, segundo dados do sistema Agrostat. Os principais produtos exportados são carne de frango com US$ 3,082 bilhões, milho com US$ 2,779 bilhões, açúcar com US$ 2,258 bilhões, carne bovina com US$ 1,217 bilhão e soja com US$ 919,590 milhões.

O Irã, individualmente, foi destino de US$ 2,920 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025, totalizando 11,532 milhões de toneladas embarcadas. Dentre esses, o milho liderou com US$ 1,98 bilhão, representando 68% do total, seguido por soja com US$ 563,63 milhões, açúcar com US$ 189,113 milhões, farelo de soja com US$ 182,19 milhões e café verde com US$ 153,02 milhões. Do lado das importações, o Irã fornece principalmente ureia ao mercado brasileiro, com 184,738 mil toneladas importadas em 2025 e desembolso de US$ 66,834 milhões.

Os riscos logísticos associados à escalada do confronto envolvem potenciais restrições no tráfego marítimo em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, o que pode impactar fretes, prazos de entrega e custos de transporte, além de influenciar a formação de estoques. Em situações de guerra, mercados de alimentos historicamente mantêm certa resiliência devido ao caráter essencial desses produtos, o que pode amenizar impactos diretos sobre a disponibilidade física no curto prazo, embora pressões de custo permaneçam.

Entre os possíveis efeitos internos, a elevação do preço do petróleo em contextos de conflito pode se refletir em custos de produção agrícola, inclusive via preços de fertilizantes e outros insumos energéticos, conforme observado em episódios anteriores de tensões geopolíticas e choques de oferta global, que levaram a reajustes nos preços de commodities energéticas e insumos básicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.