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03/Mar/2026

Grãos: conflito no Oriente Médio amplia volatilidade

O ataque conduzido por Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou a aversão a risco nos mercados internacionais, adicionando um fator relevante de instabilidade ao comércio global de grãos. O impacto sobre os fluxos comerciais permanece imprevisível no curto prazo, diante da ausência de parâmetros consolidados para mensurar os desdobramentos do conflito.

A avaliação predominante é de que a duração do embate será determinante para a intensidade dos efeitos. Um evento de curta duração tende a permitir acomodação mais rápida dos mercados, enquanto um prolongamento pode gerar distorções mais profundas e persistentes, sobretudo considerando o histórico de conflitos extensos no Oriente Médio.

As primeiras reações foram observadas ainda na madrugada, com o petróleo registrando alta próxima de US$ 5 por barril. Metais avançaram impulsionados por compras defensivas, o dólar se fortaleceu e as bolsas operaram em queda no pré-mercado. No complexo de grãos, milho e trigo apresentaram ganhos iniciais, enquanto a soja passou a oscilar. Relatos de possível interrupção no fluxo pelo Estreito de Ormuz também passaram a integrar o radar dos agentes, sustentando a busca por proteção nas sessões subsequentes.

No campo fundamental, houve revisão na estimativa da safra brasileira de soja, agora projetada em 177,7 milhões de toneladas, ante 179,3 milhões de toneladas na previsão anterior. O principal ajuste ocorreu no Rio Grande do Sul, cuja produção foi reduzida de cerca de 23 milhões para 20,9 milhões de toneladas. Apesar do corte, a safra permanece recorde e 3,4% superior à da temporada passada.

O volume adicional, no entanto, não deve resultar em exportações proporcionalmente maiores, em razão da demanda interna consistente para esmagamento no Brasil. Nesse contexto, as reduções na produção tendem a favorecer os Estados Unidos de forma gradual, com reflexos que podem levar tempo para se materializar nos fluxos comerciais.

Observa-se ainda avanço de acordos comerciais sem participação dos Estados Unidos. Houve entendimento entre China e Canadá com retirada de tarifas sobre a canola canadense, além de acordo entre México e Brasil para ampliação das importações mexicanas de carne bovina brasileira. Esses movimentos indicam reorganização das correntes globais de comércio, em um ambiente no qual trigo, milho e soja dos Estados Unidos figuram entre os produtos mais caros no mercado internacional.

As vendas externas de milho apresentaram retomada na semana anterior, enquanto os demais grãos permanecem sem novos negócios reportados. O ambiente atual sugere período relevante para monitoramento de acordos comerciais e eventuais ajustes estratégicos nos fluxos globais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.