12/Feb/2026
O desembolso do Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, somou R$ 207,88 bilhões até janeiro, em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. O montante corresponde a 51,2% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, desconsiderando as Cédulas de Produto Rural (CPRs).
O valor é 12,5% inferior ao liberado no mesmo período da safra 2024/25, quando haviam sido desembolsados R$ 237,42 bilhões. Ainda assim, o número de contratos cresceu 5,5%, passando de 1,377 milhão para 1,452 milhão de operações, indicando redução no valor médio por operação.
A retração reflete um ambiente de maior cautela por parte dos produtores, diante de juros elevados, margens pressionadas e maior seletividade das instituições financeiras, em um contexto de elevado endividamento no setor. Tradicionalmente, o primeiro semestre do ano-safra concentra forte demanda por custeio e investimento, o que torna a desaceleração ainda mais relevante.
Modalidades
De julho a janeiro:
Custeio: R$ 117,185 bilhões (-13,3%), em 491.869 contratos.
Investimento: R$ 50,316 bilhões (-22,5%), em 951.328 contratos.
Comercialização: R$ 19,663 bilhões (-13,7%), em 7.037 contratos.
Industrialização: R$ 20,716 bilhões (+42,6%), em 1.281 contratos.
O crédito para investimento apresentou a maior retração proporcional, sinalizando postura mais conservadora dos produtores quanto à ampliação de capacidade ou modernização.
Programas
Pronaf: R$ 42,306 bilhões (-0,86%), em 1,214 milhão de contratos.
Pronamp: R$ 42,299 bilhões (-3,35%), em 134.138 operações.
Grandes produtores: R$ 123,274 bilhões (-18,4%), em 103.437 contratos.
A maior queda ocorreu entre grandes produtores, segmento mais sensível às condições de mercado e ao custo financeiro.
Distribuição regional
Nordeste: 734.932 contratos (R$ 20,739 bilhões).
Sul: 342.408 contratos (R$ 68,255 bilhões).
Sudeste: 230.702 contratos (R$ 57,123 bilhões).
Norte: 74.050 contratos (R$ 14,573 bilhões).
Centro-Oeste: 69.423 contratos (R$ 47,190 bilhões).
O valor médio nacional por contrato foi de R$ 143,215 mil, queda de 17% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Fontes de recursos
LCAs (livres e controladas): R$ 70,203 bilhões.
Recursos obrigatórios: R$ 45,019 bilhões.
Poupança rural (livre e controlada): R$ 48,886 bilhões.
As Letras de Crédito do Agronegócio permanecem como principal fonte de financiamento oficial.
Estrutura do Plano Safra 2025/26
Agricultura familiar: R$ 78,2 bilhões.
Pronamp: R$ 69,1 bilhões.
Demais produtores e cooperativas: R$ 258,6 bilhões.
CPRs direcionadas: R$ 188,5 bilhões.
O total ofertado na safra alcança R$ 594,4 bilhões, considerando todos os instrumentos.
Apesar da desaceleração no crédito oficial, levantamento do Ministério da Agricultura aponta R$ 284,08 bilhões liberados no primeiro semestre para agricultura empresarial até dezembro, incluindo R$ 121,9 bilhões via CPRs financiadas com recursos de LCAs, o que representa crescimento de 3% frente ao ciclo anterior nesse recorte ampliado.
Fonte: Banco Central (Sicor/BCB) e Ministério da Agricultura.