10/Feb/2026
A valorização do real frente ao dólar, cotado em torno de R$ 5,20, voltou a ocupar posição central na formação de preços e nas decisões comerciais do produtor rural em 2026, especialmente nos mercados de soja e milho. Mesmo com cotações internacionais em níveis considerados razoáveis, o câmbio mais apreciado reduz a conversão das receitas de exportação para a moeda doméstica, comprimindo margens.
O fortalecimento do real está associado à manutenção de juros elevados, ao controle inflacionário e ao ingresso de capital estrangeiro, fatores que sustentam a moeda brasileira. Esse movimento, no entanto, diminui a receita em reais por unidade exportada, afetando diretamente a rentabilidade do produtor.
No mercado da soja, a paridade de exportação tem oscilado entre R$ 95 e R$ 100 por saca em polos produtivos. Esse patamar resulta da combinação entre preços em Chicago próximos de US$ 11 por bushel, prêmios de exportação contidos e um câmbio menos favorável às vendas externas. Mesmo com estabilidade relativa no mercado internacional, o real mais forte reduz o valor recebido em moeda nacional, aproximando parte dos produtores do ponto de equilíbrio econômico.
A pressão sobre as margens é intensificada pelo aumento estimado entre 7% e 10% nos custos de produção em relação ao ciclo anterior, enquanto os preços de venda recuaram cerca de 10% no mesmo intervalo, agravando o descompasso entre custos e receitas.
Diante desse cenário, a gestão financeira da safra exige estratégias defensivas, como vendas escalonadas, diversificação de momentos de fixação de preços e uso de instrumentos de proteção. O ambiente atual não favorece a comercialização integral no curto prazo, mas a exposição total aos riscos de mercado também amplia a vulnerabilidade financeira, tornando essencial o equilíbrio entre liquidez e flexibilidade.
Para o milho, a dinâmica apresenta diferenças relevantes. O consumo interno para produção de etanol e proteína animal mantém os preços acima da paridade de exportação, reduzindo a sensibilidade imediata às oscilações cambiais. Ainda assim, os riscos aumentam em períodos de excedente de oferta, quando o mercado doméstico perde capacidade de absorção.
No segundo semestre, a expectativa é de um ambiente mais favorável, com maior protagonismo das exportações e aumento da sensibilidade das cotações internacionais aos riscos climáticos nos Estados Unidos, o que pode reabrir janelas de oportunidade para o produtor brasileiro.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.