09/Feb/2026
Os preços mundiais dos alimentos voltaram a cair em janeiro, marcando o quinto mês consecutivo de recuo, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A queda foi puxada principalmente pela redução das cotações internacionais de laticínios, açúcar e carnes, movimento que mais do que compensou as altas observadas nos grupos de óleos vegetais e arroz.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de commodities alimentícias negociadas no mercado internacional, registrou média de 123,9 pontos em janeiro. O resultado representa recuo de 0,4% em relação a dezembro e queda de 0,6% na comparação anual.
Entre os grupos que compõem o indicador, o índice de cereais apresentou leve alta de 0,2%. A valorização foi sustentada principalmente pelo avanço de 1,8% nos preços do arroz, refletindo uma demanda mais firme por variedades aromáticas, enquanto os preços do trigo e do milho recuaram no período.
O índice de óleos vegetais subiu 2,1% em janeiro, impulsionado principalmente pelo aumento das cotações do óleo de palma, em meio à desaceleração sazonal da produção no Sudeste Asiático e à demanda global consistente. Também houve recuperação nos preços do óleo de soja, associada à menor disponibilidade para exportação na América do Sul e às expectativas de forte consumo para biocombustíveis nos Estados Unidos. Em sentido oposto, o óleo de canola registrou leve recuo, diante da ampla oferta na União Europeia.
No segmento de proteínas, o índice de preços de carnes caiu 0,4%. A baixa foi liderada pela carne suína, enquanto os preços da carne de aves avançaram, sustentados por valores mais elevados no Brasil e pela demanda internacional firme. As cotações das carnes bovina e ovina permaneceram praticamente estáveis ao longo do mês.
O índice de laticínios recuou 5,0%, com quedas expressivas nos preços do queijo e da manteiga, apesar da maior firmeza observada no mercado de leite em pó desnatado. O açúcar também registrou retração, de 1,0%, refletindo expectativas de maior oferta global, diante da recuperação da produção na Índia e de boas perspectivas para a safra no Brasil e na Tailândia.
Além do comportamento dos preços, a FAO destacou um cenário de ampla oferta global de grãos. A produção mundial de cereais em 2025 foi estimada em 3,023 bilhões de toneladas, com colheitas recordes de trigo, cereais secundários e arroz. Como resultado, os estoques globais de cereais devem crescer 7,8%, alcançando um novo recorde histórico, enquanto a relação estoque/consumo é projetada em 31,8%, o maior nível desde 2001.
Para o ciclo 2025/26, a FAO projeta ainda um crescimento de 3,6% no comércio mundial de cereais, reforçando a expectativa de um mercado internacional bem abastecido ao longo da próxima temporada.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.