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30/Jan/2026

Imperialismo dos EUA é ameaça à ordem mundial

Donald Trump foi eleito duas vezes presidente dos Estados Unidos com o slogan “América em primeiro lugar”, um conceito isolacionista que quebrou com o status quo da política norte-americana que prevalecia desde a 2ª Guerra. Mas, as declarações do republicano durante o segundo mandato vêm mostrando uma faceta diferente: o imperialismo. O presidente norte-americano sinalizou em diversas oportunidades que gostaria de comprar a Groenlândia e anexar o Canadá e o Canal do Panamá. O republicano também já chegou a ventilar a ideia de assumir o controle da Faixa de Gaza. De acordo com especialistas, Donald Trump invoca conceitos de política externa que eram mais naturais no século 19 e no começo do século 20, como propostas imperialistas e a volta da chamada Doutrina Monroe (que ficou conhecida pelo slogan “América para os americanos”). Em seu discurso de posse, Trump citou o ex-presidente William McKinley, que governou entre 1897 e 1901, como um exemplo a ser seguido. Durante seu mandato, McKinley garantiu um rápido crescimento econômico para os Estados Unidos, impôs tarifas e anexou territórios como Porto Rico e Guam.

Na época, ele aliou protecionismo e imperialismo, como agora parece ser o objetivo de Trump. O republicano deu o aval para uma operação militar que prendeu o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no coração de Caracas e chegou a afirmar que poderia anexar a Groenlândia usando a força. Mesmo que ele tenha descartado a possibilidade em um discurso posterior, Trump parece irredutível em relação a suas aspirações. Para o Instituto Brookings, think tank com base em Washington (EUA), Donald Trump de fato se encaixa bem nas ideias intelectuais do século 19. A proposta de tentar anexar a Groenlândia relembra como os Estados Unidos se comportaram naquela época, quando o país tomou grande parte do sudoeste do México, expandiu para o oeste para confiscar terras de indígenas, comprou a Louisiana da França e encontrou uma maneira de tomar o Havaí e Guam. Para a Universidade de Tromso, na região do ártico norueguês, Trump quer que os Estados Unidos sejam uma potência hegemônica no Hemisfério Ocidental.

O documento da Estratégia de Segurança Nacional ressalta que Trump quer que os Estados Unidos sejam um hegemon nas Américas e a Groenlândia está no Hemisfério Ocidental, então faria parte dessa esfera de influência norte-americana. Trump também gostaria de ser reconhecido como um presidente que expandiu o território norte-americano. O presidente dos Estados Unidos acredita que ter mais terras equivale a mais poder. Isso era verdade no século 19, mas não funciona muito bem hoje em dia. A visão de mundo do presidente norte-americano e de sua administração é baseada em esferas de influência e de poder. O vice-chefe de Gabinete da Casa Branca para Políticas, Stephen Miller, apontou que os Estados Unidos possuem o direito de anexar a Groenlândia e poderiam tomar a ilha a força se quisessem. “Ninguém vai entrar em guerra com os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”, disse ele. “Vivemos em um mundo, no mundo real, que é governado pela força, pelo poder”, acrescentou. “Essas são as leis de ferro do mundo desde o princípio dos tempos.”

As declarações fizeram parte de uma estratégia do governo Trump para justificar o imperialismo norte-americano e a visão de uma nova ordem mundial em que os Estados Unidos poderiam derrubar governos de outros países e tomar territórios e recursos estratégicos se isso fizesse parte do interesse nacional. De acordo com o jornal The New York Times, o interesse de Trump na Groenlândia estaria menos relacionado à “segurança nacional” como disse ele e mais ligado a grandiosidade. “Eu disse: ‘Por que não temos isso?’”, explicou ele em uma entrevista de 2021 para o livro “The Divider” sobre seu primeiro mandato. “Dê uma olhada no mapa. Sou um incorporador imobiliário, olho para um canto e digo: ‘Tenho que conseguir aquela loja para o prédio que estou construindo’, etc. Não é tão diferente assim. Adoro mapas. E sempre disse: ‘Olhe para o tamanho disso. É enorme. Deveria fazer parte dos Estados Unidos’”. Em uma entrevista ao The New York Times, ele enquadrou isso em termos de desejo pessoal.

Questionado sobre por que a propriedade era importante em vez de apenas fortalecer a Groenlândia, ele disse: “Porque é isso que sinto que é psicologicamente necessário para o sucesso.” Questionado se ele queria dizer psicologicamente importante para si mesmo ou psicologicamente importante para o país, ele disse: “Psicologicamente importante para mim.” Trump foi incentivado a adquirir a Groenlândia pelo empresário bilionário Ronald S. Lauder, um amigo desde a escola, cujo interesse levantou questões sobre quem poderia lucrar com tal movimento. O interesse trumpista causou apreensão na Dinamarca e em oficiais europeus e da Otan. A Groenlândia é um território pequeno em uma localização estratégica e depende muito da Otan para garantir sua segurança, especialmente em meio a abertura do Ártico, então estão todos preocupados. O desejo norte-americano de anexar a Groenlândia se junta a outras reivindicações de territórios pelo mundo que envolvem grandes potências, como a Rússia e a China. Em fevereiro de 2022 a Rússia invadiu a Ucrânia com o objetivo de anexar quatro regiões do território ucraniano: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

A Rússia anunciou a anexação das regiões em setembro de 2022 após um referendo que é contestado pela comunidade internacional. A Rússia não controla completamente os territórios, mas deseja a saída das tropas ucranianas dos locais para assinar um acordo de paz. A Ucrânia sugere um congelamento das linhas do conflito. Assim como a Rússia, a China também tem reivindicações de território, como a anexação da ilha de Taiwan. Após a Guerra Civil Chinesa, em 1949, o governo da então República da China, liderado pelo nacionalista Chiang Kai-shek e seu partido Kuomintang (KMT), se refugiou em Taiwan. Os comunistas, vitoriosos, estabeleceram a República Popular da China no continente, comandados por Mao Tsé-tung. A China considera Taiwan uma província rebelde que deve ser reunificada, preferencialmente, por meios pacíficos, mas jamais descartou o uso da força. Taiwan sofre com o assédio marítimo chinês e falta de reconhecimento internacional por conta da pressão da China. Os taiwaneses desejam manter o seu status-quo, sem uma declaração formal de independência, mas com autonomia.

Além da reivindicação de Taiwan, a China também tem divergências com a Índia sobre onde começa e termina o território dos dois países. As nações compartilham uma fronteira de mais de 3.440 quilômetros e a demarcação nunca foi delineada propriamente. Depois da partilha da Índia feita pelo império britânico em 1947, que levou a independência da Índia e Paquistão, a China passou a questionar a fronteira existente na região, principalmente após a anexação do Tibete pela China em 1950. Após reprimir a revolta do Tibete em 1959, as escaramuças ficaram mais recorrentes na fronteira com a Índia, levando a uma invasão do Exército chines em 1962. Os confrontos resultaram em uma derrota expressiva da Índia até o cessar-fogo unilateral anunciado pela China, principalmente por conta de pressões dos Estados Unidos. Após a derrota dos indianos, a China confirmou o seu controle sobre a área de Aksai Chin, que fica no lado oeste da fronteira. A Índia reivindica estes territórios, assim como a China afirma que o Estado indiano de Arunachal Pradesh faz parte de seu território. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.