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28/Jan/2026

UE: setor agrícola exige ações para conter custos

As principais entidades representativas dos agricultores e cooperativas da União Europeia, Copa e Cogeca, cobraram nesta terça-feira (27/01) "ações de acompanhamento decisivas" dos ministros da Agricultura do bloco para restaurar a estabilidade e a competitividade do setor. Em comunicado divulgado após a reunião do Conselho Agri-Fish, as organizações destacaram que, após semanas de mobilização em toda a Europa, é necessário transformar o engajamento político demonstrado pelo comissário Christophe Hansen, com à promessa de colocar a agricultura no centro das prioridades da União Europeia, em medidas concretas, especialmente diante do peso acumulado de custos e incertezas regulatórias. Um dos pontos centrais da reivindicação é a crise dos fertilizantes. A Copa e a Cogeca alertaram que os aumentos de preços ligados à entrada em vigor do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) estão colocando uma "pressão insustentável" sobre a viabilidade das fazendas.

As entidades exigem a suspensão imediata das tarifas de Nação Mais Favorecida (MFN) sobre todos os fertilizantes e uma pausa na aplicação do CBAM ao insumo até que as incertezas sobre a precificação de CO2 sejam resolvidas. Com relação aos mercados, os produtores europeus saudaram o anúncio da suspensão temporária do regime de aperfeiçoamento ativo (Inward Processing Regime, IPR) para o açúcar, classificando-o como uma ação política concreta para reequilibrar o setor. As entidades também se comprometeram a colaborar com o "exame de saúde" (health check) dos mercados agrícolas proposto pela Comissão, utilizando seus grupos de trabalho setoriais para identificar gargalos. A questão comercial foi tratada com severidade, com as entidades alertando que aspectos relacionados ao comércio arriscam exacerbar os desafios atuais ao minar os padrões de produção da União Europeia.

Esse posicionamento ocorre em um momento de vitória para o lobby agrícola europeu: o Parlamento Europeu decidiu solicitar um parecer jurídico ao Tribunal de Justiça da União Europeia sobre o acordo com o Mercosul, congelando na prática o processo de ratificação. Grupos agrícolas celebraram a manobra como um triunfo estratégico para "ganhar tempo" e frear a concorrência sul-americana, vista como ameaça. Sobre a reciprocidade nas trocas comerciais, a Copa e a Cogeca avaliaram o lançamento de uma força-tarefa sobre controles de importação como um passo positivo, mas insuficiente se não for seguido por controles de fronteira harmonizados e mais rigorosos. As organizações defendem que, onde os riscos aumentarem, medidas de emergência automáticas devem ser aplicadas para proteger os produtores locais. Por fim, as entidades reiteraram a necessidade de fortalecer o papel dos produtores primários na nova Estratégia de Bioeconomia da União Europeia, sem restrições ao uso de biomassa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.