27/Jan/2026
Os recursos do Plano Safra 2025/2026 com potencial de promover ganhos de sustentabilidade na agropecuária somaram R$ 33,3 bilhões no primeiro semestre da safra (julho a dezembro de 2025), queda de quase R$ 10 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, quando haviam alcançado R$ 43,1 bilhões. O montante corresponde a 22,5% do total contratado em custeio e investimento entre julho e dezembro, desempenho inferior ao observado na safra anterior. A retração ocorre em linha com o enfraquecimento geral do Plano Safra na primeira metade do ciclo. No período, as contratações totais de crédito rural somaram R$ 189,7 bilhões, R$ 30,6 bilhões a menos, recuo de 16%, na comparação com igual intervalo de 2024. A queda se dá em um momento delicado de juros elevados, alta do endividamento dos produtores rurais e renegociações de dívidas, o que torna tanto os produtores quanto as instituições financeiras mais avessos ao risco.
O cenário de crédito mais restritivo coincide com a deterioração das condições financeiras no campo. Segundo a Agroicone, em novembro de 2025, 15% de todo o crédito rural ativo apresentava algum nível de estresse financeiro, totalizando R$ 123,6 bilhões, valor R$ 51,4 bilhões superior ao observado em julho de 2024. A situação se mostra agravada em função das altas taxas de juros de mercado, o que torna as renegociações caras e com risco de efeitos 'bola de neve' no endividamento. A queda foi mais intensa nos recursos destinados a investimento, que recuaram 27,5% no semestre, passando de R$ 59,7 bilhões para R$ 43,3 bilhões. Tal resultado demonstra o possível impacto do cenário macroeconômico nas decisões produtivas no campo, traduzindo-se em menor disposição dos produtores em realizarem intervenções para o melhoramento de suas explorações.
No custeio, o recuo foi menor, mas ainda relevante, refletindo maior cautela tanto do lado da oferta quanto da demanda por crédito. Do ponto de vista da transição climática, o desempenho do semestre acende um sinal de alerta. A contratação de recursos alinhados à sustentabilidade recuou de forma mais acentuada no investimento, com queda de 35,1%, do que no custeio, que caiu 12,9%. Por atividade, agricultura e pecuária apresentaram movimentos semelhantes, com reduções de 22,4% e 23,4%, respectivamente. No semestre, a agricultura concentrou R$ 29,8 bilhões do crédito sustentável, enquanto a pecuária respondeu por R$ 3,6 bilhões. Entre os programas, o Pronaf apresentou comportamento distinto. As linhas com finalidade sustentável destinadas à agricultura familiar somaram cerca de R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, praticamente estáveis em relação à safra anterior, respondendo por 34,1% dos recursos de investimento do programa.
Esse desempenho elevou em 0,8% a representatividade do crédito sustentável no Pronaf, para 8,3%. O principal destaque foi o Pronaf Bioeconomia, que totalizou R$ 1,3 bilhão no período, equivalente a 92,8% das contratações sustentáveis dentro do programa. Nos subprogramas voltados a médios e grandes produtores, o movimento foi oposto. As contratações de linhas rotuladas, especialmente o RenovAgro, recuaram, reduzindo em 1,7% a participação do crédito sustentável no investimento desse grupo. Estes resultados indicam que na atual conjuntura esses produtores vêm conduzindo sistemas produtivos menos alinhados à sustentabilidade, o que pode se manifestar como efeito do encarecimento do crédito para este grupo. Em valores absolutos, o RenovAgro concentrou R$ 2,3 bilhões em contratações no semestre, o equivalente a 56% dos recursos destinados a programas com finalidade sustentável.
Os subprogramas mais acessados foram o RenovAgro Plantio Direto, com R$ 701,4 milhões, e o RenovAgro Recuperação e Conversão, com R$ 681,4 milhões. Chama atenção a queda nas contratações de crédito voltadas à correção intensiva do solo. O semestre fechou com R$ 3,4 bilhões destinados a esse produto, recuo de 38,2% em relação aos R$ 5,5 bilhões do mesmo período da safra anterior. Sendo o solo um dos principais ativos do setor e com grande potencial para a estocagem de carbono, avançar em medidas para a melhoria de sua qualidade é um direcionamento fundamental. O panorama do crédito rural sustentável no início da safra 2025/2026 é preocupante. O momento sugere que o aumento do custo do capital decorrente de uma taxa básica de juros elevada e o crescimento do endividamento no crédito rural se mostram como fatores prejudiciais para a transição dos sistemas produtivos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.