27/Jan/2026
Segundo o Itaú Unibanco, o ano eleitoral deve trazer maior volatilidade ao câmbio, sobretudo entre maio e junho, período que historicamente concentra aumento do prêmio de risco em anos de eleição. Para o agronegócio, esse ambiente tende a ampliar a importância da gestão de risco cambial, com possíveis janelas pontuais para fixação de preços de exportação. O câmbio está projetado em R$ 5,50 no fim de 2026, mas o resultado pode se deslocar de forma relevante a depender das sinalizações fiscais do governo eleito. O governo eleito sinalizou que vai cortar gastos, que é o que o Brasil precisa para estabilizar ou minimamente endereçar a dinâmica de contas públicas, eu posso ter um câmbio melhor que esse R$ 5,50. Falar de um câmbio que vai querer buscar R$ 5,00 não é exagero. Na ausência desse sinal, a situação do câmbio pode” azedar”. No curto prazo, ainda há espaço para apreciação adicional do Real, antes da intensificação do ruído eleitoral. No primeiro trimestre, há um espaço para apreciação adicional da moeda. Esse movimento pode gerar oportunidades táticas para fixar um insumo por exemplo.
A maior sensibilidade do câmbio tende a se concentrar justamente no período que antecede o início formal da campanha. Historicamente, o prêmio de risco no Brasil, que acaba sendo um determinante importante do câmbio, fica mais nervoso principalmente em maio e junho do ano de eleição. Abril também é um mês relevante por concentrar o prazo legal para desincompatibilização de ocupantes de cargos do Executivo que pretendem disputar eleições. Do ponto de vista macroeconômico, o Itaú projeta desaceleração gradual da economia em 2026. O banco estima crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 2%, após expansão de 2,3% em 2025. O Brasil passou alguns anos crescendo mais de 3% ao ano, mas a economia deve moderar. Na inflação, a projeção para o IPCA é de 4% em 2026, após 4,3% em 2025, ainda acima da meta central. A composição tende a mudar. A parte de serviços continua com alguma pressão, mas deve haver desaceleração de 6,1% para 5,5%.
Para industriais, a expectativa é de inflação mais comportada, apoiada por câmbio relativamente estável, preços de commodities sem grandes oscilações e pressão de insumos chineses. Essa parte do IPCA deve ser mais benigna para a formação de custos do agro. A inflação de alimentos deve ganhar tração em 2026, estimada em torno de 5%. Há potencial de alta do preço do boi gordo. O consumo de alimentos tende a ser menos sensível ao ciclo econômico, pois é relativamente inelástico. A demanda mais básica da família é a última coisa a ser cortada. Na política monetária, a projeção é de início do ciclo de cortes da taxa Selic em março, com redução total de 225 pontos-base ao longo do ano, levando a taxa de 15% para 12,75% ao ano. O espaço para esse ciclo de corte de juros é raso, com a inflação acima da meta, mercado de trabalho ainda apertado e expectativas desancoradas, que limitam uma flexibilização mais agressiva. Para o agronegócio, o ambiente de 2026 exigirá disciplina na gestão de risco. O ano deve combinar volatilidade elevada com oportunidades pontuais para fixações em níveis mais favoráveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.