26/Jan/2026
A União Europeia está disposta a implementar o acordo de livre comércio com o Mercosul de forma provisória, afirmou na sexta-feira (23/01) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apesar da votação do Parlamento Europeu para adiar a ratificação para revisão legal. "Há um interesse claro de que garantamos que os benefícios deste acordo se apliquem o mais rápido possível", disse von der Leyen. "Em resumo, estaremos prontos quando eles estiverem prontos", completou, indicando que o bloco agiria assim que pelo menos um país do Mercosul ratificasse o pacto. A decisão de avançar provisoriamente deve provocar críticas de opositores, liderados pela França.
Na quarta-feira (21/01), o Parlamento votou por encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que poderia atrasar o processo em meses. No entanto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, chamou a votação de "lamentável" e instou pela aplicação provisória do acordo. Ainda, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, pedirão a "entrada imediata em vigor" dos acordos comerciais da União Europeia com o Mercosul e com o México em uma declaração conjunta assinada pelos dois líderes na sexta-feira (23/01). Mais de 20 ministros da Itália e da Alemanha se reuniram na sexta-feira (23/01) em Roma para discutir uma cooperação mais estreita em áreas como segurança, defesa e resiliência.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) manifestou seu pesar em relação à decisão do Parlamento Europeu de encaminhar a revisão do Acordo Mercosul-União Europeia à Suprema Corte do bloco. A judicialização do processo adia benefícios econômicos concretos e limita a capacidade de resposta conjunta dos dois blocos frente às crescentes incertezas geopolíticas. A decisão não colabora para o fortalecimento do multilateralismo e acaba por enfraquecer a própria União Europeia em seu projeto de construção de uma soberania conjugada e compartilhamento de responsabilidades. Após cerca de 26 anos de negociações e sucessivas validações técnicas e jurídicas, a medida reduz o potencial do tratado de fomentar um comércio internacional pautado por regras claras, previsibilidade e cooperação, especialmente diante de um cenário global de elevada volatilidade.
A integração birregional é fundamental para ampliar mercados e fortalecer cadeias produtivas, com uma condução "técnica e pragmática" para reduzir as incertezas que travam decisões de investimento. Apesar do revés no Legislativo europeu, a Abag expressou a expectativa de que os favoráveis à iniciativa encontrem caminhos para acelerar a implementação do acordo, beneficiando consumidores e cidadãos de ambos os continentes. Esse posicionamento alinha-se à sinalização dada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou estar pronta para aplicar o acordo de forma provisória assim que um país do Mercosul o ratifique, contornando momentaneamente o travamento parlamentar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.