22/Jan/2026
De acordo com o Boletim de Desempenho do Crédito Rural do Ministério da Agricultura, o valor desembolsado para agricultura empresarial no Plano Safra 2025/2026, iniciado em 1º de julho, alcançou R$ 284,08 bilhões até dezembro em financiamentos para médios e grandes produtores. A cifra inclui R$ 121,9 bilhões em recursos captados por meio das Cédulas de Produto Rural (CPR), destinados ao custeio da safra 2025/2026, de julho até dezembro. Os dados consideram o crédito contratado e concedido. O montante desembolsado no primeiro semestre do plano agrícola e pecuário para agricultura empresarial foi 3% superior ante o valor registrado em igual período da temporada passada, de R$ 275,18 bilhões. Os recursos efetivamente concedidos caíram 2%, totalizando R$ 270,41 bilhões até o fim de dezembro. Entre julho e dezembro de 2025, o crédito rural apresentou crescimento das contratações, porém queda das concessões frente ao mesmo período de 2024.
O semestre foi marcado por expansão da CPR e retração em linhas tradicionais, especialmente investimento e custeio. Considerando somente os recursos captados por meio das CPRs direcionadas, houve um crescimento de 30% na comparação com o primeiro semestre da safra passada. O levantamento contabiliza as CPRS emitidas por produtores rurais em favor das instituições financeiras e que são contabilizadas no cumprimento das exigibilidades de aplicação das LCA’s e da poupança rural. A participação das CPRs no crédito concedido saiu de 34% no ciclo 2024/2025 para 45% na temporada 2025/2026. Os financiamentos para custeio somaram R$ 92,47 bilhões em desembolso de julho a dezembro, 15% abaixo de igual período do ano-safra anterior. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 32,63 bilhões no período, 20% menos que na temporada passada.
As operações de comercialização atingiram R$ 19,37 bilhões (queda de 3%), e as de industrialização totalizaram R$ 17,63 bilhões (alta de 43%). Entre os programas de investimento, o destaque é o Programa de Construção de Armazéns (PCA), cujo desempenho foi 22% superior na comparação entre as safras. O cenário se apresenta mais restritivo, principalmente no tocante aos investimentos. Pela demanda, os produtores rurais estão focando mais em custeio, principalmente nesse primeiro semestre da safra e, por parte da oferta, os bancos sendo mais cautelosos, onde as taxas de juros, que são balizadas pela Selic (15% ao ano), têm um papel importante nesse comportamento retraído. No período, foram registradas 304.476 operações na agricultura empresarial, queda de 25% na comparação entre as safras. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registrados 122.769 contratos, redução de 21%, enquanto outras 90.172 operações foram firmadas por demais produtores, retração de 39%.
Outros 91.535 contratos foram registrados em CPRs, queda de 11% em número de operações. Entre as fontes de recursos, as fontes controladas, que somam recursos obrigatórios e fundos constitucionais, totalizaram R$ 84,35 bilhões de julho a dezembro, uma queda de 10% em relação ao ano anterior. As fontes não controladas somaram R$ 64,08 bilhões, redução de 26%. Quanto às regiões do País, todas as regiões apresentaram quedas tanto em número de contratos, quanto em valores desembolsados. A Região Nordeste viu o número de contratos de crédito rural cair 41%, enquanto o valor desembolsado diminuiu 34%. A Região Sul mantém a liderança em número de contratos, enquanto a Região Centro-Oeste possui os maiores valores desembolsados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.