22/Jan/2026
A crise entre Estados Unidos e Europa ganhou novos capítulos na terça-feira (20/01), com mais provocações do presidente norte-americano, Donald Trump, e uma resposta cada vez mais dura de líderes europeus. A tensão provocou uma reação dos investidores, derrubando Bolsas, o dólar e títulos do governo norte-americano. O S&P 500 caiu mais de 2% pela primeira vez desde outubro. O índice Nasdaq caiu 2,4%, e o Dow Jones recuou cerca de 870 pontos, pouco mais de 1,7%. O dólar também se desvalorizou em relação ao euro e à libra esterlina. Os mercados reagiram às ameaças de Trump de tomar a Groenlândia da Dinamarca, usando tarifas sobre produtos europeus como arma, o que causou uma forte reação da Europa. O crítico mais estridente do governo norte-americano até aqui é o presidente francês, Emmanuel Macron, que acusou Trump de tentar “submeter a Europa” e condenou o “novo imperialismo” norte-americano.
“Não vamos aceitar uma ordem global decidida por aqueles que afirmam ter a voz mais forte ou o maior poder”, disse o presidente francês, ao discursar em Davos, no Fórum Econômico Mundial. “Os Estados Unidos, por meio de acordos comerciais que prejudicam nossos interesses, exigem concessões máximas e visam enfraquecer e subordinar a Europa. Não é hora de um novo imperialismo ou um novo colonialismo. O momento é de cooperação.” Mas Macron não foi o único a criticar Trump. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que a Europa deve ser dura ao responder às ameaças dos Estados Unidos. “A política de apaziguamento é sempre um sinal de fraqueza. A Europa não pode se dar ao luxo de ser fraca, nem contra seus inimigos, nem contra seus aliados.” O apaziguamento a que se refere Tusk é uma referência à política adotada pela maioria dos governos que buscaram acomodar o expansionismo de Adolf Hitler, nos anos 1930.
O regime nazista via esse esforço como sinal de fraqueza e aproveitou para exigir a anexação de cada vez mais territórios. Para o premiê belga, Bart De Wever, Donald Trump está passando do limite e colocando 80 anos de aliança em risco. “Até agora, tentamos apaziguar o presidente. Fomos muito lenientes”, disse. “Se a Otan realmente morrer, a globalização morrerá com ela, e não podemos continuar sendo herbívoros nesse novo mundo.” A primeira ação concreta da Europa contra Trump foi tomada na terça-feira (20/01) pelo Parlamento Europeu, que suspendeu a tramitação do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos. A votação estava marcada para as próximas semanas e previa zerar as tarifas de importação de produtos industriais norte-americanos. Na terça-feira (20/01), Trump parecia confiante em um acordo sobre a Groenlândia.
Ele chegou nesta quarta-feira (21/01), a Davos, onde tem reuniões com os principais líderes europeus e da Otan. “Não acho que eles (europeus) vão resistir muito. Precisamos disso”, disse. Durante de terça-feira (20/01), o norte-americano postou insultos e provocações. Ele vazou uma mensagem de texto de Macron, compartilhou um mapa mostrando o Canadá e a Venezuela como parte dos Estados Unidos e criticou o Reino Unido por ceder a soberania da ilha de Chagos a Maurício, e com ela uma base militar no Índico. “Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”, escreveu Macron, em mensagem a Trump. Em seguida, o presidente norte-americano ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos da França. No meio do tiroteio verbal, a Groenlândia parece se preparar para o pior. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, disse que uma invasão norte-americana é improvável, mas não pode ser descartada.
Ele também pediu à população de 57 mil habitantes que se prepare para esse cenário. O senador democrata Peter Welch afirmou que trabalhará com colegas para introduzir uma resolução para impedir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, use tarifas sobre aliados europeus para alcançar seu objetivo de assumir a Groenlândia. "Vou apresentar uma resolução para bloquear quaisquer tarifas que ele imponha às nações que apoiam a soberania da Groenlândia e se opõem à marcha insana de Trump para a guerra", disse Welch em vídeo publicado nas redes sociais. O senador esteve na Dinamarca com uma delegação bipartidária no fim de semana. Ainda, o presidente norte-americano voltou a dizer que os Estados Unidos se importam com a Europa, e justificou sua opinião dizendo que é descendente de europeus, em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21/01).
Apesar de ameaçar novas tarifas progressivas contra oito países europeus, por conta da questão da Groenlândia, ele defendeu que quer "aliados fortes, não fracos". Ao se dirigir ao secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente norte-americano afirmou que não usará a força para a questão da Groenlândia. "Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo, tudo o que pedimos é a Groenlândia, é para a proteção do mundo", mencionou. "Não conseguiremos nada a menos que eu use força excessiva, mas eu não farei isso", acrescentou. "Quero que a Europa e o Reino Unido se deem muito bem", afirmou. Trump, por outro lado, alegou que a Europa e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não valorizam o trabalho que o governo norte-americano faz pela segurança e que os Estados Unidos têm sido "tratados de maneira muito injusta" pela aliança. "Nunca recebemos nada da Otan, pagamos por quase toda a aliança", disse. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.