21/Jan/2026
As tensões entre Estados Unidos e Europa, tendo como pano de fundo o controle da Groenlândia, geraram um movimento global de aversão ao risco nesta terça-feira (20/01), que no Brasil se traduziu na alta do dólar ante o Real. O dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,38, depois de ter chegado a oscilar acima dos R$ 5,40. No ano, a divisa acumula queda de 1,98%. Após ter anunciado no fim de semana que pretende aplicar tarifas comerciais a oito países europeus, o presidente norte-americano, Donald Trump, continuou na segunda-feira (19/01) a pressionar a Europa para que os Estados Unidos possam comprar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca.
Ao tratar de seu desejo pela Groenlândia, Trump afirmou que já não pensa mais "puramente na paz", evitando dizer se usaria a força para tomar a ilha, mas reiterando a ameaça tarifária. Do outro lado, a União Europeia estuda uma retaliação. Nesta terça-feira (20/01), em um reforço da pressão norte-americana, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que impor cobranças aos países que se opõem ao controle da Groenlândia pelos Estados Unidos é "um uso apropriado de tarifas" em um contexto geopolítico.
A insistência de Trump na posse da Groenlândia gerou um movimento de fuga dos ativos norte-americanos ("Sell America"), o que incluiu a venda de Treasuries, com consequente avanço dos rendimentos dos títulos, e de ações em Wall Street. Nos mercados de moedas, os investidores foram em busca da segurança de divisas como o euro, a libra e o franco suíço, em detrimento do dólar. Entre as moedas de países emergentes, porém, a busca por segurança se materializou na alta do dólar ante divisas como o Real, o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano.
No Brasil, o dólar foi cotado na máxima de R$ 5,40 (+0,83%), em meio às preocupações com o cenário geopolítico. Na metade da sessão, a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília, fez o dólar se reaproximar da estabilidade. O governador de São Paulo segue como o preferido da “Faria Lima” para a disputa pelo Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Profissionais ponderaram ainda que a perda de força da moeda norte-americana ante o Real também esteve ligada ao fluxo de entrada de recursos no Brasil, onde a bolsa de valores registrou novos recordes. Na mínima do dia, o dólar marcou R$ 5,35 (-0,10%), para depois voltar a ganhar força ante o Real, novamente em sintonia com o exterior. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,48%, a 98,612. O Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.